Medicina

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  • Publicado : 28 de março de 2011
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1. Introdução

O diagnóstico da prenhez ectópica apresentou grande evolução nos últimos 20 anos. A introdução da dosagem da subunidade beta da gonadotrofina coriônica (beta-HcG) e de métodos ultrassonográficos transvaginais de alta resolução, têm permitido o diagnóstico preciso e precoce da gestação ectópica antes do desenvolvimento de um quadro clínico grave.

Com o advento de terapêuticasconservadoras, um diagnóstico precoce deste evento torna-se ainda mais importante, evitando, por vezes, a realização de cirurgias desnecessárias.

A história natural da gestação ectópica pode variar. Em alguns casos há regressão do trofoblasto, e uma gestação ectópica inicial pode caminhar em processo de resolução espontânea, não sendo necessário nenhum tipo de intervenção. Em outros casos, empacientes assintomáticas e clinicamente estáveis, sem sinais de hemorragia intra-peritoneal ou massa anexial, pode ocorrer uma ruptura súbita e choque hipovolêmico.

2. História natural da prenhez tubária

Aborto tubário

A chance de ocorrer um aborto tubário depende, em parte, do local de implantação do zigoto. O aborto tubário é comum na região da ampola, enquanto a ruptura é freqüente naregião ístmica.

Pode ocorrer sangramento de intensidade variada na cavidade peritoneal proveniente da extremidade fimbriada tubária. Quando esta extremidade está ocluída, a tuba uterina pode se distender gradualmente, formando um hematossalpinge.

Ruptura tubária

Pode haver ruptura das tubas uterinas em vários locais. De uma forma geral, quando a ruptura ocorre precocemente, nas primeirassemanas de gestação, o sítio de implantação é geralmente a região ístmica da trompa. Quando o zigoto implanta-se na porção intersticial, a ruptura ocorre mais tardiamente.

A ruptura tubária tende a ocorrer espontaneamente, mas pode estar associada à relação sexual e ao exame ginecológico bianual. A mulher geralmente apresenta sinais de choque hipovolêmico rapidamente se não houver umaintervenção precoce.

Prenhez abdominal

O feto pode ser expulso durante o episódio de ruptura tubária e, dependendo do grau de lesão da placenta, pode sobreviver por um tempo variável e originar uma prenhez abdominal. Nestes casos, geralmente, uma porção da placenta permanece aderida à parede tubária e o crescimento ocorre em sua periferia, com adesão às estruturas ao redor.

Prenhez intra-ligamentarA ruptura tubária pode ocorrer na porção da trompa não recoberta por peritônio e o embrião pode se localizar entre as dobras do ligamento largo.

Prenhez intersticial

Ocorre quando há implantação do zigoto no segmento da trompa que penetra na parede uterina, resultando em uma gestação intersticial ou cornual. É responsável por aproximadamente 3% de todas as gestações tubárias.

Devido aosítio de implantação, o diagnóstico diferencial com uma gestação tópica é mais difícil e freqüentemente realizado tardiamente.

A ruptura ocorre mais tardiamente devido à grande distensibilidade desta região. Entretanto, a hemorragia é intensa e rapidamente fatal, pois o sítio de implantação é entre as artérias uterina e ovariana. A histerectomia é geralmente necessária quando o diagnóstico étardio.

Prenhez ectópica heterotópica

A gestação tubária pode coexistir com uma gestação tópica, intra-uterina, o que torna o diagnóstico ainda mais difícil. Tem uma incidência aproximada de 1:7.000 gestações, chegando até 1:900 nos casos de indução de ovulação.

A prenhez heterotópica geralmente é diagnosticada após o desenvolvimento dos sinais e sintomas e metade dos casos são admitidospara cirurgia de urgência após ruptura. Deve ser suspeitada nos seguintes casos:

• Após técnicas de reprodução assistida;
• Níveis persistentes ou aumentados de beta-HcG após dilatação e curetagem por aborto;
• Presença de mais de um corpo lúteo;
• Ausência de sangramento transvaginal na presença de sinais e sintomas de gestação ectópica;
• Evidência ultrassonográfica de gestação uterina...
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