Medicina aeroespacial

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2.3 Implicações do processo de fadiga no trabalho do aviador
Como principais atributos críticos da fadiga aparecem: cansaço, exaustão,
desgaste, alteração da capacidade funcional e falta de recursos/energia (MOTA;
CRUZ; PIMENTA, 2005).
As manifestações de fadiga têm sido associadas a um declínio de força
muscular produzido durante e após o exercício máximo e submáximo, comincapacidade de manter a intensidade da atividade ao longo do tempo, bem como
ao decréscimo da velocidade de contração muscular e um tempo maior para que a
musculatura relaxe, tanto por influência de fatores energéticos, quanto de fatores de
transmissão neural (ASCENSÃO et al., 2003).
As principais consequências são: letargia, sonolência, diminuição da
motivação, atenção e concentração, mal-estar,todos eles problemáticos para o
aviador e a segurança de voo (MOTA; CRUZ; PIMENTA, 2005).
Parece inevitável que os aviadores sejam submetidos a variadas e adversas
condições de trabalho que, normalmente provocam desgaste na saúde,
comprometendo sua qualidade de vida, bem como as condições de segurança do
voo.
Pilotos são submetidos a provas fisiológicas de exaustão, que envolvemsituações de hipóxia, de alternadas acelerações +G e –G, entre outras, que servem
para diagnosticar a capacidade física de reserva, objetivando delimitar os níveis de
respostas destes em situação de emergência. Para alguns pilotos, um estado de
excitação e, até certa exaustão, parecem ser positivos, segundo Cereser (1985),
mas para a maioria deles a fadiga faz cair o nível de prontidãopsicomotora,
expondo o aviador à maior possibilidade de acidentes.
Para Cereser (1985) a questão da exaustão deve ser analisada 48 Artigo Científico
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cuidadosamente para não ser considerada apenas como um fenômeno
predominantemente subjetivo separada da dependência com a situação funcional do
sistema neuro-vegetativo e da motivação.
O fenômeno da fadiga passa aser um importante aspecto da segurança de
voo que foi exposta de forma objetiva, segundo Kanashiro:
O que pode fazer com que um piloto capacitado, com excelente
formação, demonstrando estar nas melhores condições
psicofisiológicas cometa um erro de julgamento ou tome uma
decisão inadequada e ocasione um acidente? A fadiga pode ser uma
das respostas (KANASHIRO, 2005 apud, CUNHA, 2007,p. 35).
A fadiga do aviador em voo está presente, juntamente com os sinais e
sintomas derivados dela em 35% dos acidentes aeronáuticos. “É uma condição
subjetiva, de difícil identificação, que avança insidiosa e perigosamente sobre as
tripulações, sendo seu estudo fundamental para a medicina aeroespacial”
(KANASHIRO, 2005 apud, CUNHA, 2007, p. 35).
Não há dúvida que para enfrentartais situações o organismo deve estar
bem condicionado, principalmente aerobicamente, com base na fisiologia que foi
discutida até o momento, para responder com mínimo dano possível ao sistema,
seja ele agudo ou crônico.
Palma e Paulich (1999) estudaram o papel da aptidão física aeróbia nas
respostas ao desgaste geral entre pilotos da caça da Força Aérea Brasileira. Esses
pilotos sãorequisitados de forma relevante em seu potencial de raciocínio e de
interação antropotecnológica, ou seja, a interação entre homem-máquina-tarefa em
suas manobras e deslocamentos, sendo que o estresse gerado na atividade aérea
pode acarretar um desgaste geral do piloto.
Numa aeronave de caça existem vários fatores que estimulam o estresse e
a fadiga, tais como a grande velocidade devoo, o reduzido espaço da cabine do
piloto, imobilização na cadeira através de cintos, capacetes justos, máscaras que
causam grande incômodo na face, as diversificadas manobras e forças acelerativas
alternadas constantemente pelas manobras da aeronave, sem contar as vibrações e R. Conex. SIPAER, v. 2, n. 1, nov. 2010. 49
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ruídos, grandes variações de temperatura...
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