Medicamento

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Medicamen to s , comunicação e cultura Drugs, communication, and cultu re

Marilene Ca bral do Nascimento 1

1 Me s trado em Sa ú de da Fa m í l i a , Un iversidade Estácio de Sá, Unesa. Rua do Riachu elo 27, Lapa, 20230-010, Rio de Janei roRJ. mnascimento @ s ky. com . br

Abstract Chemical dru gs sign ed a revol u tion in pu blic health activities and in med i cine pra cti ce ,reached hegemony in the contemporary therapeutic and, sym b ol i c a lly, went beyond the boundary of a thera peutic instrument. Pre sently, they are consu m ed with the purpose of shaping the body or the beh avior to esthetic and co n du ct rigid pa tterns settled in the contem porary culture. The analysis of 237 articles from mass circulation newspa per and magazines, concerning some of the moremerch a n d i sed pharm a ceu tics industry drugs in Bra z i l , reve a l ed a distantness tendency betwe en dru gs co n su m ption and medical cultu re . In these articles, the discourse which favo rs the drugs co n su m ption was ch a racterized for the association of scientific info rmation’s with power, beauty, youth and strength symbols, su s t a i n edon and in the same time re-forcingdominants values in culture, as individualism, competition and consumption. Drugs risks were em p h a s i zed in 55% of the arti cl e s , in a discou rse accen ting individual auto n o my and responsibly in the drugs co n su m ption and its risks. The ask to dominant esthetic and conduct patterns plus the increase risks divulgation tends to dislocate drugs from the field of cure and health to the co ntrol and risks, signalizing its re-signification in the thera peu tic and culture. Key word s Drugs, Therapeutic, Risks, Communication, Culture

Resumo Medicamentos de base química assinalaram uma revolução nas atividades de saúde pública e no ex erc í cio da med i ci n a , alcançando lugar hegemônico na terapêutica contemporânea. A análise de 237 repo rtagens veiculadas nas décadas de 1980 e1990, em jo rnais e revistas de larga circulação, sob re alguns dos med i c a m en tos mais co n sumidos no pa í s , demonstrou que, s i m b ol i c amente, estão ultra passando as frontei ras de um recurso terapêutico. São co n sumidos cada ve z mais com o objetivo de moldar o corpo ou o co mpo rt a m en to a padrões estéti cos e de co n duta rigid a m en te estabel e cidos na cultu ra. O disc u rsoque f avo re ce o consumo se cara cterizou pela associ ação de informações científicas a símbolos de poder, beleza, juventude e força, sustentados em e ao mesmo tem po reforçando va l o res dominantes na cultura atual, tais como o individualismo, a competição acirrada e o consumismo. A abord a gem de riscos preva l e ceu em 55% das report a gens analisadas, em discurso acentuando a autonomia e a res ponsabilização do indivíduo no consumo de medicamentos e seus riscos. O conjunto das report a gens apo n tou uma tendência ao descolamen to en tre consumo e cultu ra médica, apoiado na automedicação, e ao deslocamento do medicamento do campo de cura e saúde pa ra o de co ntrole e risco, sinalizando sua re-significação na terapêutica e na cultura. Pa l avras-ch ave Medic am ento s , Terapêutica,Ri scos, Comunicação, Cultura

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S a ú de em pílulas
A descoberta do anti bi ó ti co, no início do século 20, é um marco inicial no desenvo lvi m en to da farmaco l ogia atual. Nela, a química ocupa um papel cen tral e os med i c a m en tos são concebi dos em laboratórios para ter uma ação direta con tra doenças específicas em populações. O êxito incon te s te obtido com o emprego demedicamentos no tratamen to de doenças i n fecc i o s a s , que en c a be ç avam as taxas de mortalidade na pop u l a ç ã o, en con tra-se na base da con s trução da hegem onia farmaco l ó gica na tera p ê utica con tem porânea (Al m ei d a , 1996; Sayd , 1998). Após a II Gu erra M n d i a l , a indústria faru m ac ê utica con h eceu um per í odo de gra n de exp a n s ã o. In tegrada aos novos...
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