Medéia

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OBBES E

MEDÉIA

*

Rita Helena S. F. Gomes

**

RESUMO
Esse artigo visa estabelecer algumas relações entre o mito de
Medéia e a obra hobbesiana. O principal ponto do texto é a
análise da retórica na filosofia hobbesiana e é, ainda, nesse
prisma que será tratado o porquê do desaparecimento do
exemplo de Medéia no Leviatã.
P ALAVRAS -C HAVE : H ob bes. M edéia. Retórica. Política.Filosofia do século XVII.
ABSTRACT
In this paper we intend to establish some relations between
Medeia’s myth and the hobbesian work. Analise the hobbesian
rhetoric is the main point of the paper and is on that basis
that will be explained why the reference to Medeia disapears
on Leviathan.
KEY-WORDS: Hobbes. Medeia. Rhetoric. Politics. Seventeenth
Century Philosophy.
* Este artigo foiescrito com o apoio do CNPq.
* * Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da UFMG com
o projeto de tese A Filosofia de Hobbes e a Desobediência.

´ [ 133 ]

Kalagatos - REVISTA DE FILOSOFIA DO MESTRADO ACADÊMICO EM FILOSOFIA DA UECE
FORTALEZA, V. 3 N. 5, INVERNO 2006.

H

No capítulo VIII da segunda parte dos Elementos da Lei
Natural e Política Hobbes utiliza o mito deJasão e Medéia para
exemplificar o perigo representado pela junção da eloqüência
dos ambiciosos com a loucura do vulgo. Essa mesma referência
é repetida no Do Cidadão e, embora não reapareça no Leviatã
ela não perde a importância de ser analisada com a devida
cautela. Em verdade, a própria escolha do autor de não
reintroduzir uma figura que lhe ser viu tão bem nas obras
precedentes ésignificativa e merece uma avaliação.
Nesse artig o, então, tomamos como objeto de estudo
o mito de Medéia e as relações que este guarda com a filosofia
política hobbesiana. Além do mito, contudo, investig amos
também a Medéia de Eurípedes, com o intuito de buscar uma
maior compreensão desta personagem e, a partir daí, entender
mais plenamente o porquê do filósofo inglês rejeitar suas
atitudes comodanosas para a manutenção do Estado.
O MITO DE MEDÉIA
Iniciamos, por tanto, com um resumo da Medéia
mitológica 1: A história começa com o destronamento de Éolo
por par te de Pélias, que após a usurpação do trono consultase com o oráculo que prediz que um dos netos de Éolo, mais
precisamente um filho de Eson, surgirá com um dos pés
descalços e restaurará a usurpação ora feita.
Sabendo de talpredição, Eson divulgou ao nascimento
de Jasão que esse estava doente e, log o depois, que a criança
não havia resistido. No dia em que foi realizado seu suposto
funeral, Jasão foi entregue ao centauro Quíron. Aos vintes
1

O resumo aqui exposto toma como base o mito de Jasão e Medéia tal
como apresentado por Pugliesi, 2005.

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Kalagatos - REVISTA DE FILOSOFIA DO MESTRADOACADÊMICO EM FILOSOFIA DA UECE
FORTALEZA, V. 3 N. 5, INVERNO 2006.

INTRODUÇÃO

GOMES, RITA HELENA S. F. HOBBES E MEDÉIA.
P. 133-149.

anos, no entanto, Jasão quis cessar seu exílio e seguindo as
ordens do oráculo r uma a corte de Iolcos, perdendo no
caminho, ao transportar Juno, uma de suas sandálias.
Ao chegar em seu destino o herói é levado ao palácio
e, na presença de Pélias,identifica-se como filho de Eson e
exige a coroa. Pélias, percebendo que nada podia contra ele,
pois era odiado por seus súditos e esses tinham se interessado
pelo jovem príncipe, não recusa diretamente seu pedido, mas
propõe-lhe uma expedição gloriosa (e perigosa) para apaziguar
os manes de Frixo e conquistar o Tosão de Ouro, jurando
que no retor no de tal aventura o trono lhe será entregue.
Jasãoaceita, assim, o desafio e reunindo mais de cinqüenta
homens torna-se o comandante dos Argonautas.
Quando desembarca na Cólquida, Jasão se dispõe a
vencer todos os obstáculos para obter o Tosão. As deusas
protetor as do herói fazem, e ntão, a f ilha do rei Eétes
apaixonar-se pelo jovem. Em nome de sua paixão Medéia,
que possui a arte dos encantamentos, promete auxiliar Jasão
em sua...
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