Max weber

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Anos de aprendizagem de um jurista formado “numa
perspectiva histórica”: Max Weber e o historicismo*
Apprenticeship from a jurist with a historical education: Max Weber
and historicism
Sérgio da Mata
Professor Adjunto
Universidade Federal de Ouro Preto
sdmata@ichs.ufop.br
Rua do Seminário s/n
35420-000 - Mariana - MG
Brasil

Resumo
São ainda raros os estudos sobre a trajetóriaintelectual de Max Weber entre o início de seus
estudos universitários em Heidelberg (1882) e a publicação de sua tese de doutoramento sobre
as companhias de comércio medievais (1889). Através da análise da sua correspondência, este
artigo pretende demonstrar a importância de historiadores como Erdmannsdörffer, Baumgarten,
Ranke e Treitschke para o jovem jurista Weber e como sua formação inseriu-se,plenamente,
nos quadros da tradição historicista da época.

Palavras-chave
Max Weber; Historiografia alemã; Historicismo.

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Abstract
There are only few studies on Max Weber’s intellectual biography between the beginning of his
undergraduate studies in Heidelberg (1882) and the publication of his doctoral dissertation on
medieval commercial partnerships (1889). Through the analysisof his correspondence, this article
seeks to demonstrate the importance of historians like Erdmannsdörffer, Baumgarten, Ranke,
and Treitschke for the young lawyer and how his early intellectual development occurred under
the strong influence of the historicist tradition.

Keywords
Max Weber; German historiography; Historicism.

Enviado em: 14/03/2011
Aprovado em: 28/03/2011

* Esteartigo é resultado parcial de uma pesquisa realizada em arquivos e bibliotecas em Erfurt, Frankfurt
an der Oder, Berlim e Munique. Agradecemos ao CNPq, à FAPEMIG (Programa Pesquisador Mineiro), ao
convênio CAPES-DAAD e à Fundação Alexander von Humboldt pelo apoio financeiro.

história da historiografia • ouro preto • número 6 • março • 2011 • 64-80

Sérgio da Mata

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Introdução
Desde hávinte e cinco anos, os estudiosos da obra de Max Weber
perceberam que a forma de lançar uma nova luz ao seu respeito, nada tem em
si, de nova: a adoção de um procedimento rigorosamente histórico-crítico.
Talvez haja nisso uma pequena ironia do destino: embora a sociologia reclame
para si o privilégio de ter em Weber um dos seus “fundadores” (o que é discutível
sob inúmeros pontos de vista), amoderna Weberforschung nada tem de
“sociológica”. Na atualidade, os estudos weberianos de ponta são,
essencialmente, estudos de história intelectual.
Não por acaso, os historiadores assumiram, nos últimos anos, um lugar
de destaque nos estudos weberianos. Basta lembrar os nomes de Wolfgang
Mommsen, Gangolf Hübinger, Rita Aldenhoff-Hübinger, Hinnerk Bruhns, Hartmut
Lehmann, Jürgen Deininger,Wilfried Nippel, Fritz Ringer e Peter Ghosh. Trata-se
de um interesse que se diria quase natural, uma vez que Max Weber sempre
levou a história e os historiadores a sério. Seja numa acepção lata, seja numa
estrita, o jurista de formação sempre foi, também, historiador.
A esta constatação, seguem-se as nossas questões propriamente ditas
neste texto: desde quando se manifestou em Max Weber ointeresse pela
história? Que historiadores marcaram sua formação? De que maneira ele se
relacionou com as reconfigurações do campo historiográfico de sua época?
Enfim, e mais importante: teria Weber, antes dos seus notáveis estudos
publicados entre 1903 e 1906, inserido-se justamente naquela tradição que,
na visão de muitos intérpretes, ele teria ajudado a implodir – a tradição
historicista?1Antes de tentar responder algumas destas perguntas, um rápido flash
back: em 1984, eram publicados os primeiros volumes da edição crítica das
obras de Weber, a Max Weber Gesamtausgabe (MWG). Este acontecimento
representou um verdadeiro divisor de águas para os Weber Studies. A rigor,
pode-se dividir a história dos estudos weberianos em uma fase pré-MWG e em
outra pós-MWG. Em 1986,...
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