Marketing cria necessidades nas pessoas?

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 13 (3224 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 20 de outubro de 2012
Ler documento completo
Amostra do texto
Marketing cria necessidades nas pessoas?



Opinião: propaganda e marketing não criam necessidades – criam sim a comoção necessária para que o consumidor encaminhe–se em direção ao produto oferecido ou anunciado.
Por Zeca Martins

Quero retomar uma discussão que, por tudo o que se escreveu e observou a respeito, já me parecia mais do que enterrada, tanto no arquivo–morto das empresasorientadas ao marketing, quanto no subsolo das bibliotecas das faculdades e demais escolas superiores do ramo. A discussão é: marketing cria necessidades?


Curiosamente, vez ou outra me perguntam a respeito. Eu, pessoalmente, estou convicto que nem propaganda, nem marketing ou o que quer que seja cria qualquer necessidade no ser humano, nada que ele já não tenha desde o início dos tempos.Criar é gerar o novo e, a menos que a ciência do futuro consiga alterar a natureza mesma do ser humano, será impossível criar–se alguma necessidade nova em quem quer que seja. Só o exposto já bastaria, a meu ver, para dar a questão como encerrada. No entanto, vejo aqui uma boa oportunidade para fazer uma breve digressão, buscando algo além de um simples raciocínio de poucas linhas – embora, semdúvida, convincente – para tentar liquidar de vez a fatura.


Evidentemente, como tudo em marketing e comunicação empresarial, o máximo que podemos fazer é fornecer respostas subjetivas, procurando sempre, é claro, o maior grau de embasamento e refinamento possíveis para chegarmos às respostas esperadas. Pode–se argumentar o contrário – e isto é previsível – de que há objetividade à farta nas decisõesdo setor, dada a incalculável profusão de métodos de cálculo empregados atualmente em Propaganda (planejamento de mídia, etc.) e Marketing (cálculos de potencial de mercado, de participação, CRM, e todas essas coisas técnico–científicas). Tudo isso, porém, serve apenas ao propósito de diminuir–se margens de erro na decisão, serve ao propósito de redução de riscos. Insisto que em Propaganda &Marketing não pode haver, como na matemática ou no cálculo estrutural da engenharia, objetividade na previsão de resultados, por serem, as primeiras, áreas que trabalham, no final das contas, com a imponderável e imprevisível natureza humana.


Por tratar–se, então, de natureza humana, devemos pisar, mesmo que muito levemente, no terreno da psicologia. E vamos buscar este refinamento de resultados,esta diminuição de riscos, no trabalho dos fundadores de dois ramos do estudo da psicologia, a humanista e a social, respectivamente Abraham Maslow e Gustave Le Bon. Claro que experts em psicologia do consumidor e especialidades afins têm em mãos ferramentas bem mais modernas e “calibradas” que as acima citadas e que vou apresentar rapidamente a seguir, mas isto de fato não me preocupa tantoassim porque, afinal, Propaganda & Marketing, no Brasil, não são mesmo muito afeitas a grandes metodologias e teorizações mais profundas. Além disso, as teorias citadas a seguir ainda são, sem dúvida, absolutamente atuais.


Com elas vou tentar fundamentar um ponto de vista que tenho sobre a idéia de marketing gerar ou não necessidades, e sobre o qual falarei mais tarde.

Maslow. Em 1943, opsicólogo norte–americano Abraham Harold Maslow publicou nos meios científicos o trabalho Motivação e Personalidade. Nele, defendia o princípio de que as necessidades fundamentais do ser humano poderiam ser dispostas numa hierarquia bastante bem–definida, a saber: fisiológicas, de segurança, de relacionamento, de estima e, por fim, de auto–realização.
Segundo ele, procura–se a satisfação de umanecessidade só após a satisfação da necessidade anterior, ou seja, vamos procurar segurança só após matar a fome ou a sede e/ou demais necessidades, digamos, primaríssimas, incluindo aí sono, descanso, excreções, etc. E assim, sucessivamente, passa–se da satisfação de uma necessidade à seguinte. Esta conclusão, é bom que se note, tem gerado inúmeros equívocos de interpretação. Há quem acredite que as...
tracking img