Marcuse, adorno, horkheimer, benjamin e habermas - teóricos de frankfurt

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Marcuse, Adorno, Horkheimer, Benjamin e Habermas - Teóricos de Frankfurt
 
Num dia qualquer de 1940, no lado espanhol da fronteira entre a França e a Espanha, um funcionário da alfândega, cumprindo ordens superiores, impediu a entrada de um grupo de intelectuais alemăes que fugia da Gestapo, a temível corporaçăo nazista. Um dos integrantes do grupo, homem de quarenta e oito anos de idade, queestampava no rosto sinais de profunda melancolia, mas ao mesmo tempo transmitia a impressăo de um intelecto privilegiado, năo resistiu ŕ tensăo psicológica e suicidou-se.
O fato poderia ser visto apenas ŕ luz da psicologia individual, mas na verdade transcende esses limites e adquire dimensăo social e cultural mais ampla. O intelectual em questăo era Walter Benjamin, um dos principaisrepresentantes da chamada Escola de Frankfurt.
As idéias dessa corrente de pensamento encontram-se, em grande parte, nas páginas da Revista de Pesquisa Social, um dos documentos mais importantes para a compreensăo do espírito europeu do século XX. Seus colaboradores estiveram sempre na primeira linha da reflexăo crítica sobre os principais aspectos da economia, da sociedade e da cultura de seu tempo; emalguns casos chegaram mesmo a participar da militância política. Por tudo isso, foram alvo de perseguiçăo dos meios conservadores, responsáveis pela ascensăo e apogeu dos regimes totalitários europeus da época.
Fundado em 1924, o Instituto de Pesquisas Sociais de Frankfurt, do qual a revista era porta-voz, foi obrigado, com a ascensăo ao poder na Alemanha do nacional-socialismo, em 1933, atransferir-se para Genebra, depois para Paris, e, finalmente, para Nova York. Nesta cidade a revista passou a ser publicada com o título de Estudos de filosofia e Cięncias Sociais. Com a vitória dos aliados na Segunda Guerra Mundial, os principais diretores da revista puderam regressar ŕ Alemanha e reorganizar o Instituto em 1950.
Alfred Schmidt, que se dedicou ŕ investigaçăo da importância e dainfluęncia da Revista de Pesquisa Social, afirma que nela se fundem, de maneira única, a autonomia intelectual, a análise crítica e o protesto humanístico. Os colaboradores da revista opunham-se aos periódicos e instituiçőes de caráter acadęmico, desenvolvendo um pensamento comum nesse sentido, sem que isso, contudo, anulasse interesses e orientaçőes individuais e, sobretudo, sem que fossem postas delado as exigęncias de rigor científico. Gian Enrico Rusconi, outro estudioso da Escola de Frankfurt, chama a atençăo para o fato de que o pensamento desse grupo năo pode ser compreendido sem ser vinculado ŕ tradiçăo da esquerda alemă. Para Rusconi, o significado histórico e político das reflexőes encontradas na Revista de Pesquisa Social reside em sua continuidade em relaçăo ao marxismo e ŕcięncia social anticapitalista Essa posiçăo teórica foi desenvolvida tendo como pano de fundo as experięncias terríveis e contraditórias da república de Weimar, do nazismo, do estalinismo e da guerra fria. Ainda segundo Rusconi, a “teoria crítica” , como costuma ser chamado o conjunto dos trabalhos da Escola de Frankfurt, é uma expressăo da crise teórica e política do século XX, refletindo sobre os seusproblemas com uma radicalidade sem paralelo. Por isso, os trabalhos de seus pensadores exerceram grande influęncia, direta em alguns casos, indireta noutros, sobre os movimentos estudantis, sobretudo na Alemanha e nos Estados Unidos, nos fins da década de 60.
A história desse grupo de pensadores pode ser iniciada com a fundaçăo do Instituto de Pesquisa Social de Frankfurt, sob direçăo de CarlGrünberg, que permaneceu no cargo até 1927. Grünberg abria o primeiro número do Arquivo de História do Socialismo e do Movimento Operário (publicaçăo que fundou em 1911), salientando a necessidade de năo se estabelecer privilégio especial para esta ou aquela concepçăo, orientaçăo científica ou opiniăo de partido. Grünberg estava convencido de que qualquer unidade de pontos de vista entre os...
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