Manual do roteiro

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  • Publicado : 18 de março de 2013
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MANUAL DO ROTEIRO



Como roteirista autônomo, escritor-produtor para a David L. Wolper Productions e chefe do departamento de histórias na Cinemobile Systems, dediquei vários anos a escrever e ler roteiros. Só na Cinemobile, li e resumi mais de 2.000 roteiros em pouco mais de dois anos. E desses 2.000 roteiros, selecionei somente 40 para apresentar aos nossos parceiros financistas parapossível produção em filme. Por que tão poucos? Porque 99 de 100 roteiros que lia não eram bons o suficiente para receber um investimento de um milhão de dólares ou mais. Ou, dito de outra forma, em 100 roteiros somente um era bom o bastante para considerar uma produção em filme. E, na Cinemobile, nosso trabalho era fazer filmes. Em apenas um ano, estivemos diretamente envolvidos na produção de 119longametragens, desde The Godfather (O Poderoso Chefão) e Jeremiah Johnson (Mais Forte que a Vingança) até Deliverance (Amargo Pesadelo). A Cinemobile Systems oferece serviços de locação para os cineastas e tem escritórios em todo o mundo. Só em Los Angeles, uma frota de 22 Cinemobiles serve à indústria de cinema e TV. Cada unidade tem aproximadamente as dimensões de um ônibus interestadual e é um"estúdio" compacto, portátil, sobre rodas, que contém todos os equipamentos de câmara necessários para fazer um filme. Isso inclui todos os refletores, geradores, câmaras, lentes e um motorista especialmente treinado para resolver 90 por cento dos problemas que surgem nas locações. É uma quantidade enorme de equipamento que permite a elenco e equipe literalmente pularem dentro de uma unidade edecolarem para filmar. Quando meu patrão, Fouad Said, o criador da Cinemobile, decidiu produzir seus próprios filmes, ele foi ao mercado e levantou US$ 10

milhões em algumas semanas. Em pouco tempo, todo mundo em Hollywood estava lhe remetendo roteiros. Milhares de roteiros chegavam, de estrelas e diretores, estúdios e produtores, de conhecidos e desconhecidos. Foi quando eu tive a sorte de ter aoportunidade de ler os roteiros apresentados, e avaliá-los em termos de qualidade, custo e provável orçamento. Meu trabalho, como me relembravam constantemente, era "achar material" para nossos três parceiros financistas: a United Artists Theatre Group, a Hemdale Film Distribution Company, sediada em Londres, e a Taft Broadcasting Company, empresa da qual a Cinemobile se originou. Comecei então aler roteiros. Como roteirista em férias necessárias após sete anos de trabalho autônomo, minha função na Cinemobile me proporcionou uma perspectiva totalmente nova em termos de escrever roteiros. Foi uma tremenda oportunidade, um desafio formidável e uma experiência dinâmica de aprendizado. O que tornava os 40 roteiros que recomendei "melhores" que os outros? Eu não tinha resposta para isso, maspensei no assunto por longo tempo. Minha experiência como leitor me deu a oportunidade de julgar e avaliar, de formular uma opinião: Este é um bom roteiro, este não é um bom roteiro. Como roteirista, queria encontrar o que tornava os 40 roteiros que recomendara melhores que os outros 1.960 que lera. Em torno dessa época tive a oportunidade de ministrar um curso de roteiro na Sherwood Oaks College emHollywood, hoje infelizmente fechada. Sherwood Oaks era uma escola profissionalizante em que os professores eram profissionais. Era o tipo de escola em que Paul Newman, Dustin Hoffman e Lucille Ball davam seminários de representação; em que Tony Bill apresentaria um seminário de produção; em que Martin Scorcese, Robert Altman, ou Alan Pakula conduziam seminários sobre direção; em que WilliamFraker e John Alonzo, dois dos melhores cinegrafistas do mundo, davam aulas de cinematografia. Era uma escola em que diretores de produção profissionais, operadores de câmara, montadores, roteiristas, diretores e produtores vinham ensinar suas especialidades. Era a mais singular escola de cinema dos Estados Unidos. Eu nunca havia ensinado roteiro antes, e tive de sondar a minha

experiência como...
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