MAL ESTAR

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MAL ESTAR NA CIVILIZAÇÃO
Gentil e delicadamente Nina respondeu que não, pois esse era o
livro que ela, como coordenadora da coleção, reservara para si. Agora, ao
ler essa pequena joia que escreveu,chego a conclusão de que estava
coberta de razão, uma vez que ela não só consegue transmitir toda a atualidade e importância
desse texto no qual Freud se debruça sobre o trágico da existência humana,como retoma grande
parte do percurso freudiano no que diz respeito à questão da cultura, chamando a atenção do
leitor para a importância de alguns outros textos freudianos, como por exemplo, Moralsexual
“cultural” e nervosismo moderno, o próprio Totem e Tabu e Psicologia das Massas e Análise do
Eu.
O livro de Nina mostra de maneira brilhante que Mal estar na Cultura não é o texto
sociológico quemuitos quiseram ver nele, nem uma elucubração filosófica, ainda que seus
conhecimentos filosóficos a ajudem a estabelecer algumas pontes interessantes entre Freud e
alguns filósofos, mas um escritoque questiona a psicanálise como práxis, atestando o desejo de
Freud como analista.
Mal estar na Cultura é, como lembrou Lacan, um daqueles textos que a veneração
humana revestiu, em outros tempos, dosmas altos atributos, na medida em que suporta a prova
da disciplina do comentário, o que nos permite, não só recolocar uma palavra no contexto de seu
tempo, como traz questões para nosso tempo, e nospermite refletir sobre o mundo em que
vivemos, uma vez que nele, o mestre de Viena, como diria Nina, se refere àquilo que o sujeito
vive como sofrimento ou impossibilidade de relacionamento com omundo e com o outro,
ressentido como uma dificuldade de ser. O mal estar do qual Freud fala é estrutural e não
conjuntural e embora ele tenha se debruçado sobre as formas de mal estar da sociedadeeuropeia
da primeira guerra mundial e do entre guerras, podemos afirmar que o que se veio a constatar
não se assemelha, em nada, a uma melhoria e sim muito mais a uma degradação manifesta.
Nina, em seu...