Mal-estar na Modernidade Ensaios de Sergio Paulo Rouanet

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  • Publicado : 23 de março de 2014
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Mal-estar na modernidade
Ensaios
Sérgio Paulo Rouanet

1. Iluminismo ou Barbárie
1.2 A crise da Civilização Moderna

O projeto civilizatório da modernidade tem como ingredientes a universalidade, o individualismo e a autonomia. A primeira significa que ela visa todos os seres humanos, independente de barreiras nacionais, étnicas ou culturais. O segundo significa que os seres humanosmodernos são vistos como pessoas concretas e não como integrantes de uma coletividade. Já a autonomia presume que essas pessoas são capazes de pensarem por si mesmas, sem a tutela de uma religião ou ideologia.
O universalismo vem sendo destruído pelos particularismos – nacionais, culturais, raciais e religiosos – e vem dando espaço para o racismo e para a xenofobia. O individualismo se perde à medidaque o conformismo dentro do coletivo cresce. A autonomia intelectual é quebrada. A autonomia política é barrada pelas ditaduras ou transformada em uma cena teatral que muda de 4 em 4 anos. A autonomia econômica é refutada pela boa parte da população que vive na miséria.
A barbárie: recusa dos próprios princípios civilizatórios propostos pela modernidade. O capitalismo é acusado de gerardesemprego e de exploração, enquanto o socialismo fracassou em suas promessas de eliminar injustiças sociais.
Existem três distintas atitudes a serem tomadas: 1. Deixar em paz os bárbaros (manter o sistema como ele é). 2. Lutar por um projeto antimoderno: particularismo, holismo (totalidade diferente da soma das partes) e a religião e a autoridade acima da liberdade. 3. Civilização neomoderna, que visariamanter a modernidade e corrigir suas patologias – projeto que corresponde ao que o autor chama de Iluminismo (corrente de ideias dos enciclopedistas e os herdeiros dessas, liberalismo e socialismo, não o momento histórico, nomeado nesta obra de “ilustração”).
A associação do momento histórico (ilustração), do socialismo e do liberalismo constituiria parte da concepção iluminista.

1.3 Ailustração
- Verdadeiramente universalista genérica, nenhuma época foi menos etnocêntrica. Todos os homens são iguais. Condenava-se qualquer tipo de racismo, colonialismo ou sexismo. É certo que esse universalismo não foi suficientemente atento a diferenças reais, sendo criticado por operar como um conceito abstrato.

- Havia um foco individualizante na ilustração, que liberaria plenamente oindivíduo, libertando-o da matriz coletiva. Partia da hipótese de homens isolados que se uniam para formar relações sociais de acordo com interesses, através dos contratos. Tal individualismo faz com que o indivíduo seja titular de direitos e de obrigações. O todo existe para o indivíduo.

- A autonomia intelectual libertou a razão do preconceito humano e de conceitos estabelecidos pela religião e aautoridades.

- A autonomia política da Ilustração foi dividida em duas vertentes: a liberal (propunha um sistema de garantias contra a ação arbitrária do Estado) e a democrática (afirmava a necessidade de que o povo participasse diretamente do governo). CONDENAÇÃO DO DESPOTISMO, poder dos monarcas e tiranos. Surgem os bons tiranos e não os antitiranos, que ficam conhecidos como DéspotasEsclarecidos.

- A autonomia econômica exigia a criação de desigualdades inexistentes no estado de natureza, e partia da premissa de que para se chegar a autonomia, era necessário partir da autonomia, ou seja da liberdade para os agentes (anti intervencionismo estatal).

1.4 O Liberalismo
- Manteve o princípio universalista, defendendo que todos os povos tinham a mesma capacidade de progredir.Pregava a divisão internacional do trabalho. A expansão do capital exigia a derrubada de fronteiras nacionais. Reconhecimento da nação livre como ele entre sujeito e espécie.

- Individualismo mantido e revolucionado pela burguesia. No antigo regime, só os nobres eram privilegiados de autodesenvolvimento, com a ascensão burguesa, o individualismo torna-se mais amplo. Surge o conformismo. O...