Macroeconomia estruturalista do desenvolvimento

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 43 (10643 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 5 de maio de 2012
Ler documento completo
Amostra do texto
Textos para Discussão

275
Novembro de 2010

MACROECONOMIA ESTRUTURALISTA DO
DESENVOLVIMENTO

LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA PAULO SÉRGIO DE OLIVEIRA SIMÕES GALA

Os artigos dos Textos para Discussão da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas são de inteira responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião da FGV-EESP. É permitida a reprodução totalou parcial dos artigos, desde que creditada a fonte. Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas FGV-EESP www.fgvsp.br/economia TEXTO PARA DISCUSSÃO 275 • NOVEMBRO DE 2010 • 1

MACROECONOMIA ESTRUTURALISTA DO DESENVOLVIMENTO
Luiz Carlos Bresser-Pereira Paulo Gala* Abstract: Structuralist development macroeconomics. This paper presents some basic ideas and models of astructuralist development macroeconomics (the tendencies to the overvaluation of the exchange rate and the tendency of wages to grow below productivity, the critique of growth with foreign savings, and a new model of the Dutch disease) that complement and actualize the thought of the LatinAmerican structuralist school that developed around ECLAC from the late 1940s to the 1960s. On the other hand, itsuggests that a new national development strategy based on the experience of fast growing Asian countries is emerging; and argues that only the countries that adopt such strategy based on growth with domestic savings, fiscal and foreign trade responsibility and a competitive exchange rate will be able to catch up. Key words: América Latina, estruturalismo, macroeconomia do desenvolvimento, estratégianacional, desenvolvimentismo. JEL Classification: E10; E11; E12 Introdução Entre os anos 1930 e 1970 a América Latina e principalmente seus dois maiores países, Brasil e México, se industrializaram e apresentaram elevadas taxas de crescimento. Este desenvolvimento que também ganhava momentum nos demais países subdesenvolvidos deu origem, após a Segunda Guerra Mundial, à teoria estruturalista daCEPAL. Esta teoria, e a respectiva estratégia nacional de desenvolvimento, surgiu no quadro da crise das oligarquias agrário-exportadoras dependentes associadas aos países ricos, e deu embasamento teórico para as coalizões políticas nacionalistas, desenvolvimentistas e industrializantes envolvendo a burguesia industrial, a burocracia pública e os trabalhadores urbanos. Este desenvolvimento teóricoocorreu na periferia do capitalismo dentro do quadro mais amplo do pensamento keynesiano e da teoria econômica do desenvolvimento. Entretanto, a crise econômica nos países centrais nos anos 1970 abriu espaço para a hegemonia da ideologia neoliberal, para a volta da teoria econômica neoclássica à condição de mainstream e para políticas econômicas convencionais baseadas na suposição de mercadosauto-regulados. Enquanto isso ocorria no centro do

* Escola de Economia e Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas. E-mails: bresserpereira@gmail.com e pgala@uol.com.br. Trabalho publicado simultaneamente na Revista de la Cepal, n.102.

mundo capitalista, a teoria estruturalista entrou em crise na América Latina, primeiro, porque, desde o final dos anos 1960, foidesafiada internamente pela teoria da dependência,1 e, segundo, porque, nos anos 1980, a grande crise da dívida externa causada pela política de crescimento com poupança externa tornou os países da região vulneráveis à nova hegemonia conservadora e à suas propostas de reforma institucional e de políticas econômicas: o consenso de Washington. Dominante desde o início dos anos 1990, essa ortodoxiaconvencional não demorou a dar maus resultados, primeiro no México (1994) que foi o primeiro país a adotá-la, depois no Brasil (1998), e finalmente no quadro da grande crise da Argentina (2001). Na Ásia, a crise de quatro países em 1997 que aceitaram a política de crescimento com poupança externa e, no ano seguinte, a crise da Rússia que no governo Boris Yeltsin submeteu-se inteiramente às...
tracking img