Lusiadas vs mensagem

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  • Publicado : 28 de outubro de 2012
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Introdução
Este trabalho consiste numa comparação parcial entre Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões, e A Mensagem, de Fernando Pessoa.
Pretendemos mostrar a estrutura de cada obra e encontrar a História de Portugal, bem como os Descobrimentos dos Valentes Lusitanos, em cada verso e palavra que os estes grandes autores escreveram, exprimiram, pensaram e sentiram, sobre o excepcional povo que é opovo Português.
Existem semelhanças entre A Mensagem e Os Lusíadas. É simples dizer que são ambas semelhantes em intenção, como obras de glorificação nacional, mas essa simplicidade camufla uma complexidade enorme.
António Quadros, um estudioso de Pessoa, diz que A Mensagem é um “poema nacional, uma versão moderna, espiritualista e profética dos Lusíadas”. Será realmente? Esperamos responder aessa pergunta, com este trabalho.
Estrutura das obras
Os Lusíadas
Os Lusíadas é uma obra escrita por Luís Vaz de Camões, que está dividida em dez Cantos, cada estrofe tem oito versos e cada verso tem dez sílabas métricas, tendo, assim, versos decassílabos. Esta grande epopeia, internamente está dividida em cinco partes: Proposição (I, 1-3), Invocação (I, 4-5), Dedicatória (I, 6-18), Narração (I,19; X, 144) e Epílogo (X, 145-156).
Os Lusíadas, podemos encontrar quatro planos de acção: o plano da viagem, o plano da mitologia, o plano da história de Portugal e o plano das considerações do poeta. Em relação ao plano da viagem, a acção central é a viagem de Vasco da Gama, “As armas e os Barões assinalados/ Que da Ocidental praia Lusitana/ Por mares nunca de antes navegados/ Passaram aindaalém da Taprobana,/ Em perigos e guerras esforçados/ Mais do que prometia a força humana,/ E entre gente remota edificaram/ Novo Reino, que tanto sublimaram;”(I,1). Escrevendo mais de meio século depois, Luís de Camões tinha já o distanciamento suficiente para perceber a importância histórica desse acontecimento, devido às alterações que provocou, tanto em Portugal, como na Europa. Por essa razãoconsiderou a primeira viagem marítima à Índia como o episódio mais significativo da história de Portugal. No entanto, tratava-se de um acontecimento relativamente recente e historicamente documentado. Para manter a ferocidade, o poeta estava obrigado a fazer um relato relativamente objectivo e potencialmente monótono, o que constituía um perigo fatal para o seu projecto épico. Daí que Camões tenhasentido a necessidade de introduzir um segundo nível narrativo.
No plano mitológico (conflito entre os deuses pagãos), Camões imaginou um conflito entre os deuses pagãos: Baco opõe-se à chegada dos portugueses à Índia, pois receia que o seu prestígio seja colocado em segundo plano pela glória dos portugueses, enquanto Vénus, apoiada por Marte, os protege, “Quando os Deuses no Olimpo luminoso,/Onde o governo está da humana gente,/ Se ajuntam em consílio glorioso,/ Sobre as cousas futuras do Oriente.”(I,20), “O padre Baco ali não consentia/ No que Júpiter disse, conhecendo/ Que esquecerão seus feitos no Oriente/ Se lá passar a Lusitana gente.”(I.30), “Os fortes Portugueses que navegam./ Sustentava contra ele Vénus bela,/ Afeiçoada à gente Lusitana/ Por quantas qualidades via nela/ Daantiga, tão amada, sua Romana; / Nos fortes corações, na grande estrela/ Que mostraram na terra Tingitana, / E na língua, na qual quando imagina,”(I,32-33), “Mas Marte, que da Deusa sustentava/ Entre todos as partes em porfia, / Ou porque o amor antigo o obrigava, / Ou porque a gente forte o merecia,”(I,36).
No plano da história de Portugal, o objectivo de Camões era enaltecer o povo português e nãoapenas um, ou alguns, dos seus representantes mais ilustres. Não podia por isso limitar a matéria épica à viagem de Vasco da Gama. Tinha que introduzir na narrativa todas aquelas figuras e acontecimentos que, no seu conjunto, afirmavam o valor dos portugueses ao longo dos tempos. E fê-lo, recorrendo a duas narrativas secundárias, inseridas na narrativa da viagem, cujo narrador é o poeta. E para...
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