Luiz gonzaga

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[www.dEsEnrEdoS.com.br - ISSN 2175-3903 - ano II - número 05 - teresina - piauí - abril maio junho 2010]

Luiz Gonzaga e a instituição identitária do Nordeste em
suas temáticas musicais
Jonas Rodrigues de Moraes 
Resumo:
Este paper busca mostrar como se instituiu as imagens discursivas de Nordeste e de
nordestino na produção musical de Luiz Gonzaga – “O sanfoneiro do Riacho da Brígida”.Contudo, fiz um percurso como foi se fundando a idéia imagística de Nordeste na literatura e
na política. No seguimento político, parte das elites nordestinas utilizou a seca como senha
para conseguir verbas federais e ao mesmo tempo como discurso para legitimar essa
espacialidade marcada pela miséria, fome, dor entre outros esteriótipos. Esses
pressupostos discursivos contribuíram para orepertório musical gonzagueano.
Palavras chaves: Seca, Nordeste, literatura, música, Luiz Gonzaga.

Abstract:
Luiz Gonzaga and the Institution of the Brazilian Northeast Identity in his Song Themes.
This paper aims to convey how the discursive images of the Brazilian Northeast and its
people, the nordestinos, have been shaped in Luiz Gonzaga’s song: The Brigida Creek
Accordion Player (Osanfoneiro do Riacho da Brígida). Therefore, a timeline of how the
Northeastern imagistic idea was founded in the literature and politics is depicted here. In
politics, some of the Northeastern political elites have used the land drought to get federal
funds and to create discourses to legitimate this period deeply affected by misery, famine,
pain, and other stereotypes. Such discourses havecontributed to Luiz Gonzaga’s music
repertoire.
Keywords: Drought, Northeast, Literature, Music, Luiz Gonzaga.

I. Seca, literatura e música: legitimação do território nordestino
Nordeste [...] vasta região ensolarada, cheia de vida, de calor
humano e de musicalidade, espaço sócio-político diferenciado
e contrastante, carente, pesado, responsável pela existência de
tantos problemas, misérias econflitos. (Margareth Rago, apud:
ALBUQUERQUE JÚNIOR, 2001: 13)

Para se compreender a representação do Nordeste na música popular
brasileira,

cabe

questionar

como

os

discursos

sobre

a

seca

aparecem

historicamente e socialmente nos órgãos oficiais do governo brasileiro. Em princípio,


Doutorando em História Social – PUC/SP e mestre pela mesma universidade,Especialista em História do
Brasil –UFPI, Graduado em História-UESPI.

2

pode-se afirmar que a seca – principal símbolo do Nordeste – exerceu grande
influência na institucionalização dessa região.
Nesse sentido, vale esclarecer que, ao se tomar a música como linguagem
fundante dos tecidos sócio-históricos e culturais e como arte carregada de sentido e
de cargas extrassonoras, procura-seentender os processos históricos nos quais
emergiram a categoria Nordeste como seqüência de uma dinâmica que se instaurou,
a partir da segunda metade do século XIX, na discussão sobre a regionalização do
país, à medida que se dava a construção da nação e que a centralização se
caracterizava como estratégia política do Império.
O processo de legitimação da seca enquanto símbolo desse território sedeu
a partir da seca de 1877.1 Nesse ano ocorreu à chamada primeira grande seca no
Nordeste, considerada a mais calamitosa, impulsionando a miséria, pobreza, fome e
indigência e deixando para os anos seguintes um saldo de 500 mil mortos entre os
habitantes do Ceará e das vizinhanças. Em Fortaleza, pereceram 119 mil pessoas.
“A seca foi devastadora em todas as quatro províncias, Piauí, Ceará,Rio Grande do
Norte e Paraíba; em todas elas ficou a população reduzida à miséria, à ruína e à
pobreza, o quadro foi horrível.” (BRASIL, 1981:86). A seguir, pode-se observar uma
mostra da situação de calamidade provocada pelos efeitos dessa seca:

1

A obra “Luiz Gonzaga: a Síntese Poética e Musical do Sertão” faz referência também à outra calamidade: “A
grande seca de 1845 no Nordeste...
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