Lucia e a prova

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  • Publicado : 23 de agosto de 2011
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Eram cinco horas da manhã de um novo dia que ainda não havia raiado, além disso estava escuro e não dava para perceber se o clima seria igual ao de ontem, chuva fininha mas intermitente, e por isso Lúcia ainda não sabia qual roupa deveria usar em mais uma jornada de trabalho. Da sua casa até a parada de ônibus eram uns bons quinze minutos a pé. Na duvida vestiu uma leve blusinha vermelho claro eseparou um agasalho que fora presenteado por sua mãe.
Suspirou, e calmamente começou a maquiagem simples mas que, sem querer, fazia ressaltar alguns detalhes de um rosto que já tinha uma beleza díspar, o que a fazia bem diferente das suas colegas de trabalho. Estas, umas e outras, eram umas assanhadas, carregavam na maquiagem e nos trejeitos na esperança de chamar a atenção de algum medicobonitão e bem sucedido. Lúcia sabia que muitas haviam se “dado bem” por uns quinze dias, um mês., houve um rumoroso caso no hospital, a tipa conseguiu segurar o Dr. X por uns quatro meses, até que ele descobriu que ela não estava grávida mesmo.
Suspirou e, novamente olhando para o relógio da cabeceira da cama viu que já eram 5.25hs, agitou-se, tinha que tomar um café mais apressado, caso contrárioperderia o ônibus e certamente o próximo não compensaria a diferença de quinze, vinte minutos entre um e outro e assim chegaria atrasada ao trabalho que, além de pagar um salário indigno, não hesitaria em descontar uns poucos minutinhos de atraso. Terminou rápido o desjejum, e ainda mastigando o último bocado do sanduíche de queijo quente, tratou de lavar os utensílios usados. Não gostava de chegar emcasa e encontrar coisas por fazer.
Sem mesmo conferir o conteúdo da bolsa, o que era desnecessário pois sempre deixava tudo em ordem antes de ir dormir, saiu apressada.
Aproximando-se do ponto de ônibus, não acreditou no que via. Durante a noite haviam trocado o simples abrigo por uma moderna estrutura em forma de um grande semi-arco, muito bem iluminado., este tinha um pequeno degrau quelevava ao piso feito de um material transparente que deixava transluzir uma estranha mas suave e aconchegante cor vermelha, que a Lúcia transmitia uma nova sensação de contentamento.
Subindo no “novo abrigo”, foi examinando os detalhes desta novidade, e quando olhou em torno de si e encontrou, uma a uma, as mesmas caras de sempre e concluiu que mudaram as coisas, mas não as pessoas.
Enquantoesperava, deu-se conta que absolutamente não recordava a sua passagem por umas e outras casas que diariamente admirava pela singela beleza externa que, em sua imaginação, refletia e revelava a alma dos moradores.
Mas não ligou para aquele lapso de tempo.
Ai notou algo estranho em si mesma., Como há muito tempo assim não se sentia, estava com vontade de sorrir amistosamente para todas aquelaspessoas, velhos amigos desconhecidos.
Então, para aqueles rostos, uns vincados pelo tempo, outros pelas agruras e outros inexpressivos, tal como que anestesiados pela vida, a eles meigamente dirigiu sorrisos.
Mas algo estranho aconteceu. Um por um daqueles rostos foram se iluminando e, fugazmente, se transformaram em feições muito parecidas com as quais a própria Lúcia, vez ou outra, de relance, sevia no espelho! Mesmo assim, naqueles breves relâmpagos de tempo, houve uma intensa troca de energia na retribuição daqueles sinceros sorrisos que, como nunca antes ela havia recebido.
Para Lúcia, foi um momento sublime, que durou toda uma eternidade, ate que foi interrompida pelo ronco do motor do ônibus que se aproximava.
Sem perceber seus movimentos, mas sentindo-se como que suspensa por fiosmágicos, sozinha Lúcia subiu no coletivo estranhando que os outros não o seguiram.
Enquanto o coletivo se afastava daquele novo abrigo, Lúcia observou que a luz do piso mudou, daquele suave tom vermelho para. . . . .
Ela começou a desconfiar que este fosse um dia diferente, pois as pessoas ao perceberem seu aparente estado de contentamento, tomavam a iniciativa de também lhe dirigir um...
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