Los dominados y el arte de la resistencia

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James C. Scott

Exploração normal, resistência normal

Quase invariavelmente destinadas à derrota e a um possível massacre, as grandes insurreições foram em geral demasiado desorganizadas para alcançar qualquer resultado duradouro. As pacientes e silenciosas lutas resolutamente levadas a cabo pelas comunidades rurais ao longo dos anos produziriam mais do que esses fogos de palha. Marc Bloch,French rural history Como escreveu certa vez o editor de Field and garden, para as pessoas comuns os grandes homens são sempre impopulares. As massas não os entendem, pensam que todas aquelas coisas são desnecessárias, até mesmo o heroísmo. O homem pequeno não dá a mínima para uma grande era. Tudo o que ele quer é vez por outra frequentar um bar e comer goulash no jantar. Naturalmente, umestadista se irrita com vagabundos como esses, quando sua tarefa é levar seu povo a fazer parte dos livros de história, pobre coitado. Para um grande homem as pessoas comuns são um fardo pesado. É como oferecer a Baloun, com seu grande apetite, uma pequena salsicha húngara para o jantar, que bem isso pode fazer! Eu nem quero escutar quando os mandachuvas se reunirem e começarem a se queixar de nós.Schweyk, in Bertold Brecht, Schweyk in the second world war, cena 1

A história não escrita de resistência A ideia para este estudo, bem como suas preocupações e métodos, originou-se de uma crescente insatisfação com grande parte dos trabalhos recentes – tanto os meus como os de outros – sobre o tema das rebeliões
Revista Brasileira de Ciência Política, nº 5. Brasília, janeiro-julho de 2011, pp.217-243.

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e revoluções camponesas.1 É notório que a desordenada atenção em larga escala que foi dada à insurreição camponesa, pelo menos na América do Norte, foi estimulada pela guerra do Vietnã e por algo como um envolvimento amoroso acadêmico de esquerda com as guerras de liberação nacional. Neste caso, o interesse e a fonte material se reforçavam mutuamente, pois osregistros históricos e arquivísticos eram mais ricos precisamente naqueles momentos em que o campesinato representou uma ameaça ao Estado e à ordem internacional existente. Em outros momentos, o que significa a maior parte do tempo, os camponeses apareceram nos registros históricos não tanto como atores históricos, mas como contribuintes mais ou menos anônimos às estatísticas sobre recrutamento militar,impostos, migração de mão-de-obra, propriedade da terra, e produção agrícola. O fato é que, apesar de toda a sua importância quando efetivamente ocorrem, as rebeliões camponesas, para não falar de “revoluções” camponesas, são poucas e temporalmente muito espaçadas. Não apenas são comparativamente raras as circunstâncias que favorecem levantes camponeses de larga escala, como, quando estesefetivamente ocorrem, as revoltas que eles desenvolvem são quase sempre esmagadas sem a menor cerimônia. Na verdade, mesmo uma revolta fracassada pode conquistar alguma coisa: algumas concessões por parte do Estado ou dos latifundiários, uma breve suspensão de novas e penosas relações de produção2 e, não menos importante, uma lembrança de resistência e coragem que pode ficar guardada para o futuro. Taisganhos, entretanto, são incertos, ao passo que o massacre, a repressão e a desmoralização da derrota são bastante certos e reais. Merece ser lembrado também que, mesmo naqueles momentos históricos extraordinários em que uma revolução apoiada por camponeses de fato alcança a tomada do poder, os resultados são algo que, na melhor das hipóteses, envolve um misto de aspectos favoráveis e desfavoráveispara o campesinato. Seja o que mais for que a revolução possa conseguir, ela quase sempre cria um aparelho estatal mais coercitivo e hegemônico – que muitas vezes se beneficia da exploração da população rural como nenhum outro anteriormente. Muito frequentemente,
Do original “Normal exploitation, normal resistance”, publicado como o segundo capítulo do livro Weapons of the weak: everyday...
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