Lol artes

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  • Publicado : 25 de outubro de 2011
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Tecnologia e Fantasia: um estudo sobre o consumo dos produtos Avon.
As transformações trazidas pela chamada “terceira revolução industrial” (mídia eletrônica, biologia molecular, inteligência artificial, etc.) proporcionaram inovações em diversos campos que vão da medicina às biotecnologias, passando pela indústria cosmética. Um de seus efeitos, o qual nos interessa de modo particular, dizrespeito à exacerbação da construção corporal, onde o corpo natural passa por vários processos de manipulação e modificação: corpos anabolizados, cirurgias cosméticas, uso de próteses, malhação exaustiva, perfurações no corpo, técnicas de suspensão corporal, dietas milagrosas, pele alterada pelo uso de cremes, etc.
De fato, é no período posterior à Revolução Industrial que odesenvolvimento das ferramentas tecnológicas se fez maior, concorrendo para que suas relações com o corpo humano se tornassem efetivamente presentes (Davanzo, 2008). A partir de então, esse entrelaçamento começa a adquirir os contornos que apresenta na atualidade.
Muitos teóricos vêm se interessando pelos impactos dessas inovações tecnológicas na sociedade: Featherstone nos oferece reflexões sobre aflexibilidade e mutabilidade das barreiras e limites do corpo, fenômenos possibilitados por esse inovador arsenal tecnológico. Donna Haraway, quanto a esse cenário, atenta para o papel relevante das biotecnologias na construção de nosso corpo e de nosso self. Outros teóricos da contemporaneidade, como Giddens e Turner, apontam para a idéia de uma liberação social, cultural e sexual através datransformação do corpo, gerando mudanças significativas na natureza da identidade e na construção do self nas sociedades pós-modernas.
As estatísticas advindas do estudo do mercado consumidor brasileiro corroboram o crescente investimento desses aparatos tecnológicos sobre o corpo. Dentre seus reflexos, nos interessa o consumo dos produtos da indústria cosmética, que engloba os setores de higienepessoal, perfumaria e cosméticos. De acordo com especialistas, o setor vem se mostrando cada vez mais uma variável relevante no âmbito do capitalismo tecnológico.
Nesse contexto de aliança entre o desenvolvimento tecnológico e a melhoria da estética corporal, nosso interesse recai no estudo de um grupo específico: o de consumidoras dos produtos da revista Avon. Trataremos, portanto, do usode certo tipo de tecnociência cuja proposta principal, pelo que pudemos observar preliminarmente, é o de melhorar a aparência e a performance corporal, levando ao máximo a narrativa de Mauss (1974), segundo a qual o corpo, ao mesmo tempo em que continuaria marcado por significados biológicos, também estaria propenso a mudanças historicamente determinadas e embutido dos valores da sociedade daqual faz parte. A recusa do corpo a ser um mero artefato determinado pelo biológico, indo em busca da superação de limites estéticos, é o que parece vigente nas práticas estéticas oferecidas pela indústria cosmética.
Gostaríamos de esclarecer que a construção dos padrões de beleza é aqui abordada ao se reconhecer sua não-universalidade e, portanto, detendo-se no caso específico da culturaocidental. Em outras palavras, abraçamos a observação de Teixeira (2001), ao reconhecer a diversidade dos cânones de beleza, bem como as diferentes avaliações de algo como mais ou menos belo, através dos tempos e lugares. Do mesmo modo, assim como Palacios, reconhecemos a temporalidade das práticas de embelezamento:
“Tempo e cosméticos sempre andaram juntos. Compõem uma equação inevitável deser mencionada e aberta a muitas leituras. A ancestralidade da prática de cuidar da aparência, buscar o embelezamento e preservar a juventude, chega até nossos dias, em constantes atualizações de fórmulas, cores e embalagens, porém mantendo sempre um pressuposto inalterável, uma causa primeira, tão ativa hoje quanto nos dias dos egípcios ou romanos: nosso desejo de parar o tempo, beber na fonte...
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