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LAPLANTINE, F. Aprender Antropologia. São Paulo: Brasiliense, 2003, p.7-17

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Introdu¸˜o ca
O Campo e a Abordagem Antropol´gicos o O homem nunca parou de interrogar-se sobre si mesmo. Em todas as sociedades existiram homens que observavam homens. Houve at´ alguns que eram e te´ricos e forjaram, como diz L´vi-Strauss, modelos elaborados ”em casa”. o e A reflex˜o do homem sobre o homem e suasociedade, e a elabora¸ao de um a c˜ saber s˜o, portanto, t˜o antigos quanto a humanidade, e se deram tanto na a a ´ ´ Asia como na Africa, na Am´rica, na Oceania ou na Europa. Mas o projeto e de fundar uma ciˆncia do homem - uma antropologia - ´, ao contr´rio, muito e e a recente. De fato, apenas no final do s´culo XVIII ´ que come¸a a se constituir e e c um saber cient´ ıfico (ou pretensamentecient´ ıfico ) que toma o homem como objeto de conhecimento, e n˜o mais a natureza; apenas nessa ´poca ´ que o a e e esp´ ırito cient´ ıfico pensa, pela primeira vez, em aplicar ao pr´prio homem os o m´todos at´ ent˜o utilizados na area f´ e e a ´ ısica ou da biologia. Isso constitui um evento consider´vel na hist´ria do pensamento do homem a o sobre o homem. Um evento do qual talvez ainda hoje n˜oestejamos medindo a todas as conseq¨ˆncias. Esse pensamento tinha sido at´ ent˜o mitol´gico, ue e a o art´ ıstico, teol´gico, filos´fico, mas nunca cient´ o o ıfico no que dizia respeito ao homem em si. Trata-se, desta vez, de fazer passar este ultimo do estatuto de ´ sujeito do conhecimento ao de objeto da ciˆncia. Finalmente, a antropoloe gia, ou mais precisamente, o projeto antropol´gico que se esbo¸anessa ´poca o c e muito tardia na Hist´ria - n˜o podia existir o conceito de homem enquanto o a regi˜es da humanidade permaneciam inexploradas - surge * em uma regi˜o o a muito pequena do mundo: a Europa.. Isso trar´, evidentemente, como verea mos mais adiante, conseq¨ˆncias importantes. ue Para que esse projeto alcance suas primeiras realiza¸˜es, para que o novo co saber comece a adquirir um in´ıcio de legitimidade entre outras disciplinas cient´ ıficas, ser´ preciso esperar a segunda metade do s´culo XIX, durante o a e qual a antropologia se atribui objetos emp´ ıricos autˆnomos: as sociedades o ent˜o ditas ”primitivas”, ou seja, exteriores as areas de civiliza¸ao europ´ias a ` ´ c˜ e ou norte-americanas. A ciˆncia, ao menos tal como ´ concebida na ´poca, e e e sup˜e uma dualidaderadical entre o observador e seu objeto. Enquanto que o a separa¸ao (sem a qual n˜o h´ experimenta¸ao poss´ c˜ a a c˜ ıvel) entre o sujeito observante e o objeto observado ´ obtida na f´ e ısica (como na biologia, botˆnica, a ou zoologia) pela natureza suficientemente diversa dos dois termos presentes, na hist´ria, pela distˆncia no tempo que separa o historiador da sociedade o a

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´ CONTEUDOestudada, ela consistir´ na antropologia, nessa ´poca - e por muito tempo a e em uma distˆncia definitivamente geogr´fica. As sociedades estudadas pelos a a primeiros antrop´logos s˜o sociedades long´ o a ınquas as quais s˜o atribu´ ` a ıdas as seguintes caracter´ ısticas: sociedades de dimens˜es restritas; que tiveram pouo cos contatos com os grupos vizinhos; cuja tecnologia ´ pouco desenvolvida eem rela¸˜o a nossa; e nas quais h´ uma menor especializa¸ao das atividades ca ` a c˜ e fun¸oes sociais. S˜o tamb´m qualificadas de ”simples”; em conseq¨ˆncia, c˜ a e ue elas ir˜o permitir a compreens˜o, como numa situa¸ao de laborat´rio, da a a c o organiza¸ao ”complexa”de nossas pr´prias sociedades. c˜ o

*** A antropologia acaba, portanto, de atribuir-se um objeto que lhe ´ pr´prio: e o oestudo das popula¸oes que n˜o pertencem ` civiliza¸˜o ocidental. Ser˜o nec˜ a a ca a cess´rias ainda algumas d´cadas para elaborar ferramentas de investiga¸ao a e c˜ que permitam a coleta direta no campo das observa¸˜es e informa¸oes. Mas co c˜ logo ap´s ter firmado seus pr´prios m´todos de pesquisa - no in´ do s´culo o o e ıcio e XX - a antropologia percebe que o objeto emp´ ırico que tinha escolhido...
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