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  • Publicado : 31 de março de 2012
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Existe a velha máxima no mundo da tecnologia: uma vez que você visita uma fábrica de computadores, celulares ou componentes, já viu todas as linhas de produção do mundo (TVs é diferente, mas não deixam você andar pela linha de produção).
Semana passada fui até a planta da Megaware em Belo Horizonte (alô, trânsito!) para rever como PCs e notebooks são produzidos – e até deu pra perceber quealguns processos mudaram desde a última vez que vi uma dessas (em 2007, na planta da CCE, em uma era pré-ZTOP).
Em tempo: todas as fotos aqui são oficiais da fabricante – por conta de “sigilo de processos industriais”, não deu para tirar fotos dentro do grande galpão. Motivos? Segredos industriais (e um certo temor de uma fabricante de Curitiba descobri-los). Note que não tem fotos da linha demontagem dos notebooks, apenas desktops e montagem de placas.

Ao entrar na fábrica, sim, dá a entender que o processo da Megaware é igual a todo e qualquer outro fabricante de computadores e notebooks brasileiro: por conta do PPB e das leis de incentivo com redução de impostos, as peças chegam de fornecedores na Ásia e são montadas localmente. O que a fabricante faz é juntar esses pedacinhos etransformá-los em máquinas completas. E todo mundo faz isso.
O processo de produção se divide em duas partes: a montagem de placas-mãe (em um ambiente separado) e a dos computadores propriamente ditos. O departamento de engenharia da Megaware está lá para garantir que os processos são feitos corretamente e homologar os computadores prontos. Não há (novamente, como na maioria dos fabricantes locais dePCs) o desenvolvimento local de hardware ou de design. As opções vêm prontas de fora, com escolha pessoal de design e configurações (Steve Jobs feelings) de Germano Couy, diretor geral e manda-chuva da Megaware.
A montagem de placas-mãe é a mais interessante de ser vista (e com equipamento mais novo). Máquinas robotizadas encaixam em velocidades neuróticas peça por peça (vinda de carretéis cheiosde pecinhas) sobre uma placa despida de componentes, que segue pela esteira até a inserção manual de uma ou outra parte maior e mais delicada e a posterior soldagem das peças. Depois, partes maiores (como encaixe de memória, bateria, portas SATA) são encaixados também na mão (pense em uma caixinha cheia de peças de Lego, só que com essas peças) e também soldados.
Além de placas-mãe para notebookse desktops da casa, a Megaware também monta pentes de memória RAM e prepara a venda desses componentes prontos para outros fabricantes de computadores. Curiosamente, a maior parte dos funcionários ali é do sexo feminino: a justificativa é o maior detalhe no trabalho final.

A linha de montagem dos computadores, ao contrário das placas, é mais braçal mesmo. Funcionários seguem o esquema “cada ummonta um pedaço” – placa-mãe, memória, disco rígido (tudo separado em kits com 50 unidades de cada), selos, encaixa tudo no gabinete, leva pra testes, instala sistema operacional (média de 8 a 12 minutos para clonar um OS!), embala, testa de novo para controle de lote.
Para notebooks e netbooks, é um processo um pouco mais complexo, já que a máquina sai da linha pronta e embalada. No total, sãocinco linhas de produção, que trabalham dois turnos por dia e preparam em média 60 portáteis por hora e de 30 a 35 desktops/hora.

Os processos de teste e avaliação das máquinas me pareceu ser a maior preocupação da Megaware no processo fabril. Como a fábrica produz apenas sob demanda dos clientes (grandes varejistas com pedidos enormes ou comércios locais que precisam de menos máquinas escolhemconfigurações de um catálogo oficial da empresa), não querem deixar margem para erro e ter um consumidor final irritado.
Nos desktops, por exemplo, a cada lote de 300 computadores, 50 são testados novamente (desembalados e rechecados). Antes de embalar, todos os produtos passam por testes extensivos de “run-in” para checagem de hardware e peças (vai que um USB não funciona, né?) – e tudo sempre...
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