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Sylvia Day Toda Sua

Para o dr. David Allen Goodwin. Meu amor e minha gratidão são infinitos. Obrigada, Dave. Você salvou minha vida.

1 “A gente devia ir até um bar comemorar.” A declaração enfática de meu amigo Cary Taylor, com quem eu dividia um apartamento, não foi nada surpreendente. Ele estava sempre disposto a comemorar, mesmo as coisas mais insignificantes. Sempre considerei issoparte de seu charme. “Sair pra beber um dia antes de começar num emprego novo com certeza não é uma boa ideia.” “Vamos lá, Eva.” Cary sentou no chão da sala do nosso novo apartamento, em meio à bagunça da mudança, e abriu seu sorriso irresistível. Fazia dias que só cuidávamos da arrumação, e ainda assim ele estava lindo. Com seu corpo esguio, cabelos escuros e olhos verdes, Cary era o tipo de homemcuja aparência, quaisquer que fossem as circunstâncias, raramente era algo menos do que incrível. Isso me deixaria com raiva, se ele não fosse a pessoa que eu mais adorava no mundo. “Não estou dizendo pra gente encher a cara”, ele insistiu. “Só uma ou duas tacinhas de vinho. A gente pega o happy hour e volta pra casa lá pelas oito.” “Não sei se vou ter tempo.” Apontei para minha calça de ioga emeu top de ginástica. “Depois que eu cronometrar a caminhada até o trabalho, vou pra academia.” “É só andar depressa e malhar mais depressa.” A expressão de Cary, com as sobrancelhas cuidadosamente curvadas em um arco perfeito, me fez rir. Nunca perdi a esperança de que seu rosto incrível aparecesse um dia em outdoors e revistas de moda do mundo inteiro. Qualquer que fosse sua expressão, ele era umarraso. “Que tal amanhã, depois do trabalho?”, ofereci em troca. “Se eu conseguir sobreviver ao primeiro dia, aí sim vamos ter o que comemorar.” “Combinado. Hoje vou estrear a cozinha nova fazendo o jantar.” “Hã...” Cozinhar era um dos prazeres de Cary, mas não um de seus talentos. “Legal.” Afastando uma mecha de cabelo que caíra sobre seu rosto, ele me olhou com um sorriso. “A gente tem umacozinha de fazer inveja à maioria dos restaurantes. Não tem erro ali.” Não muito convencida, eu me despedi com um aceno, decidida a me esquivar da conversa sobre a cozinha. Desci para o térreo de elevador e sorri para o porteiro quando ele abriu a porta pra mim. Assim que pus o pé para fora, fui envolvida pelos aromas e ruídos de Manhattan, que me convidavam a sair e explorar. Eu não estava apenas dooutro lado do país em relação à minha antiga casa em San Diego — parecia estar em outro mundo. Duas metrópoles importantes — uma infinitamente amena e sensualmente preguiçosa, a outra pulsando como um organismo vivo carregado de uma energia frenética. Nos meus sonhos, eu me imaginava em um pequeno e charmoso prédio no Brooklyn, mas, por ser uma boa menina, acabei no Upper West Side. Se não fosse oCary, eu estaria completamente sozinha em um apartamento enorme que custa por mês mais do que a maioria das pessoas ganha em um ano. Paul, o outro porteiro, me cumprimentou tirando o quepe. “Boa noite, senhorita Tramell. Vai precisar de um táxi esta noite?” “Não, obrigada, Paul.” Bati no chão com os amortecedores do meu tênis de

ginástica. “Vou sair pra caminhar.” Ele sorriu. “Esfriou umpouquinho agora no fim da tarde. O tempo está gostoso.” “Me disseram pra aproveitar o mês de junho, antes que comece o calor de verdade.” “Um ótimo conselho, senhorita Tramell.” Ao me afastar da fachada envidraçada e moderna que de alguma forma não destoava da idade do edifício e da vizinhança, desfrutei da relativa tranquilidade da rua arborizada antes de chegar à agitação e ao trânsito intenso daBroadway. Eu ainda tinha esperanças de me adaptar rapidamente, mas por enquanto me sentia uma falsa novaiorquina. Eu tinha um apartamento e um emprego, mas ainda não me sentia segura o bastante para me aventurar no metrô, e não tinha me acostumado a acenar ostensivamente para os táxis. Enquanto caminhava, eu tentava não parecer impressionada e atônita, mas era difícil. Havia tanta coisa para ver e...
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