Livro

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O EGIPCIO
MIKA WALTARI




Revisado por: Samia








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ÍNDICE


LIVRO I  O BARCO DE VERGA
LIVRO II  A CASA DA VIDA
LIVRO III  A FEBRE DE TEBAS  
LIVRO IV  NEFERNEFERNEFER  (*n. da revisão: capítulo não demarcado)
LIVRO V  OS CABÍRIOS
LIVRO VI  O DIA DO FALSO REI LIVRO VII  MINEIA
LIVRO VIII  A MANSÃO ESCURA
LIVRO IX  A CAUDA DO CROCODILO
LIVRO X  A CIDADE CELESTIAL
LIVRO XI  MÉRITO
LIVRO XII  O RELÓGIO DE ÁGUA MEDE O TEMPO
LIVRO XIII  O REINO DE ATON NA FACE DA TERRA
LIVRO XIV  A GUERRA SANTA
LIVRO XV  HOREMHEBLIVRO I
O BARCO DE VERGA




Eu Sinuhe, filho de Senmut e de sua mulher Kipa escrevo isto. Não o escrevo para a glória dos deuses da terra de Kan, porque estou cansado de deuses, nem para a glória dos faraós porque estou cansado de seus feitos. Tampouco escrevo por medo ou por qualquer esperança no futuro; escrevo para mim, apenas. O que vi, conheci eperdi durante a minha vida, foi coisa demasiada para que me domine um vão temor e, quanto a algum desejo de imortalidade, estou tão exausto disso quanto dos deuses e dos reis. É apenas por minha causa que escrevo, por tal motivo e essência diferindo eu de todos os escritores passados e vindouros.

Principio este livro no terceiro ano do meu exílio, nas praias do mar Oriental de onde osnavios saem para as terras do Ponto; aqui, perto do deserto, junto àquelas colinas cuja pedra foi retirada para a construção das estátuas dos primitivos deuses. Escrevo porque já agora o vinho é amargo para a minha boca, porque perdi o prazer que achava nas mulheres e porque nem jardins nem lagos com peixes me distraem mais. Expulsei os cantores, pois o som proveniente de sopro ou de cordas é tormentopara os meus ouvidos. Por conseguinte eu, Sinuhe, escrevo isto já que não me importo com a minha riqueza, as minhas taças de ouro, o meu ébano, o marfim e a mirra. Nada disso me foi tomado. Escravos ainda temem as minhas varas. Guardas inclinam a cabeça e deixam cair as mãos até aos joelhos, diante de mim. Mas limites foram impostos aos meus passos e nenhum navio consegue transpor as ressacas queimperam neste litoral; nunca mais poderei sentir o cheiro da terra negra pelas noites de primavera. O meu nome outrora foi inscrito no livro de ouro do faraó e sempre permaneci à sua destra. Minhas palavras contrabalançavam as de poderosos na terra de Kan; nobres me enviavam dádivas, e correntes de ouro pendiam do meu pescoço.

Possuí tudo quanto um homem pode desejar, mas, como todohomem, desejei mais e, por conseguinte fiquei reduzido ao que ora sou. Fui banido de Tebas no sexto ano do reinado do faraó Horemheb, ameaçado de ser batido até à morte como um cão, se voltasse... de ser esmagado entre pedras como uma rã se desse um passo sequer para fora da área estabelecida como lugar de residência. E isso por ordem do rei, do faraó que fora outrora meu amigo.

Mas antes decomeçar o meu livro quero deixar meu coração se lamentar em prantos porque assim no exílio cumpre a um coração chorar sempre que mágoas o enegrecem. Todo aquele que uma vez bebeu água no Nilo, ansiará para sempre tornar para perto dele, pois a sede não se aplacará com as águas de nenhuma outra terra. Trocarei a minha taça por uma caneca de barro se meus pés puderem de novo pisar o pó macio da terrade Kan. Trocarei minhas vestes de linho pelas peles com que os escravos se cobrem, se puder mais uma vez ouvir os caniços das margens sussurrarem ao vento primaveril. Claras eram as águas da minha juventude; doce era a minha loucura. Amargo é o vinho da idade, e nem mesmo o mais escolhido favo de mel pode substituir o pão maldito da minha pobreza. Retrocede ó Tempo, tu, tempo já desfeito! Ammon...
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