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  • Publicado : 10 de julho de 2012
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ADVERTÊNCIA
A arte de ter razão é um pequeno tratado de Schopenhauer levou a uma redação quase definitiva, sem, no entanto, publicá-lo. O conteúdo permite relacionar esse texto com o tema tratado nas lições berlinenses sobre a “dianoiologia”, isto é, a “teoria do inteiro pensar”. Schopenhauer indica os motivos que o levaram a desistir de publicar a pequena obra quase concluída; “Reuni osartifícios desonestos mais recorrentes nas controvérsias e representei claramente cada um deles na sua peculiaridade, ilustrando-o com exemplos e atribuindo-lhes um nome; por fim, acrescentei também os meios a serem utilizados contra tais artifícios, por assim dizer as defesas contra tais simulações”. E pouco adiante: “Eu havia, portanto, reunido e desenvolvido cerca de quarenta desses estratagemas. Maspôr-me agora a ilustrar todas essas escapatórias da limitação e da incapacidade, irmãs da obtusidade, da vaidade e da desonestidade, causa-me náuseas; por isso, por isso, detenho-me nestes ensaios e ressalto com energia ainda maior as razões alegadas acima, para que se evitem as discussões com pessoas como quase todos são.”.
As variantes do título da obra provêm do fato de que, como aludimos, omanuscrito não traz título algum. Ele é deduzido do próprio texto.









A ARTE DE TER RAZÃO
Exposta em 38 estratagemas
A dialética erística é a arte de disputar, mais precisamente a arte de disputar de maneira tal que fique com a razão. Portanto a verdade objetiva de uma preposição e sua validade na aprovação dos litigantes e ouvintes são duas coisas distintas.
A vaidade inata,particularmente suscetível no que concerne à inteligência, não quer que nossa afirmação inicial resulte falsa e do advento, correta. Portanto deveria primeiro pensar e depois falar. Porém à vaidade inata associam-se, na maioria dos indivíduos, uma verbosidade e uma desonestidade também inata. Falam antes de pensar.
O interesse pela verdade, que na maioria dos casos foi o único motivo par sustentar aproposição considerada verdadeira, acaba cedendo totalmente ao interesse da vaidade: o verdadeiro deve parecer falso, e o falso verdadeiro.
Desse modo, as fraquezas de nosso intelecto e a perversão de nossa vontade apoiam-se reciprocamente. Por conseguinte, aquele que disputa, de maneira geral, não luta pela verdade, mas em defesa de sua própria tese. Cada indivíduo tem, portanto, sua dialéticanatural, bem como sua lógica natural. Porém a primeira não nos guia por muito tempo com tanta segurança como a segunda. O exercício e a reflexão sobre as expressões com as quais se derrota o adversário, ou que ele geralmente utiliza para derrotar, podem contribuir muito para tornar alguém mestre nessa arte.
O procedimento é o seguinte: toda disputa possui uma tese ou problema (estes diferem apenasna forma ) e proposições que devem servir para resolvê-los. Trata-se sempre da relação dos conceitos entre si. Essas relações são primeiramente quatro, ou seja, de um conceito buscamos ou 1) sua definição, ou 2) seu gênero, ou 3) sua particularidade, sua característica essencial, ou 4) qualquer qualidade, não importando se é particular e exclusiva ou não, em suma, um predicado.
Sob rubrica daparticularidade, o proprium, o lócus 215 diz o seguinte: “Primeiramente, para derrubar proposições: quando o adversário indica como particularidade algo que só pode ser percebido sensorialmente, a indicação é ruim, pois tudo o que é sensorial torna-se incerto assim que sai do âmbito dos sentidos. Em segundo lugar, para estabelecer proposições: a particularidade é corretamente indicada quando seapresenta algo que não é reconhecido sensorialmente, ou, se o é, que existe necessariamente.
A fim de apresentar claramente a dialética, devemos independentemente da verdade objetiva (que é assunto da lógica), contemplá-la simplesmente como a arte de ficar com a razão, o que, sem dúvida, será tanto mais fácil quando se tiver objetivamente razão. Devemos separar nitidamente a descoberta da verdade...
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