Livro filosofia para adolescentes

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  • Publicado : 17 de outubro de 2012
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Antonio Jaques de Matos FILOSOFIA PARA ADOLESCENTES (SEM ACADEMICISMOS)

Prefácio
É da natureza humana querer explicar tudo a sua volta, talvez, como pensava Nietzsche, para evitar surpresas desagradáveis, mas, também, porque, isso, nos dá grande satisfação, como pensava 24 séculos atrás, Aristóteles. É o que nos propomos fazer neste livro em relação ao ensino de filosofia para adolescentes.Um desafio que é em um primeiro momento assustador, mas, depois, recompensador, porque é da natureza humana querer se comunicar bem com os outros, embora nem sempre consiga e este desejo inclui a efetivação da comunicação entre professor e alunos adolescentes. O ensino de filosofia para adolescentes tem sido deixado de lado como menos importante para os filósofos, uma atividade paralela, no máximo,sem importância. O problema é que os doutores em filosofia, fechados em suas salas, nada mais fazem do que repetir o que os antigos escreveram e, no máximo, tiram palavras mais difíceis dos textos, mas mantém a ênfase na divulgação da cronologia dos períodos filosóficos como se fosse importante saber quem veio depois de quem. Às vezes, destacam temas, mas numa linguagem que o adolescente médionão entende ou se entende, não relaciona a sua curta experiência de vida. E a causa reside no fato destes professores desempenharem nas suas universidades de origem apenas a atividade de tradutor de idiomas, para tentar descobrir algum detalhe que tenha passado despercebido de Aristóteles, de um Kant ou outro pensador; lá, o senso crítico é como um ser vivo que morre na casca, sem nenhuma chance dese viabilizar. Mas, por senso crítico não queremos dizer apenas pedir a opinião de um aluno. Certa vez, ouvi dois alunos falando que o professor fez uma prova onde pedia a opinião do aluno e vi que os dois caíram na risada. Dar nota apenas pela opinião? Sim e não. Sim, mas não somente por isso: é preciso uma opinião justificada em motivos, de preferência após uma visualização de duas ou maisalternativas e, então, decidir por uma delas, explicando o por quê da escolha. Isto é fazer uso da racionalidade! Há vantagens em ensinar jovens a filosofar (tarefa dividida com a Ciência): isto amplia a capacidade de perceber o mundo a sua volta. Especificamente a Filosofia, ela trata daquelas perguntas mais difíceis que vão além das perguntas que os cientistas fazem. Estes últimos não perguntam se oespaço existe, mas os

filósofos, sim, pois se o espaço existe este universo está em algum espaço? E este espaço está em algum ou alguns outros, em uma quantidade infinita? Kant, por exemplo, defendeu a tese de que o espaço é um sentido interno, não real. Geralmente as perguntas mais fáceis são relacionadas ao senso comum, como os ditados e crenças populares. Por que vai chover? Porque,respondem, meu joelho dói. Mas, por que a dor é anterior à chuva? Não sei, dizem eles. Já a ciência pode dar um passo além: a mudança de pressão atmosférica afeta a sensibilidade dos nervos de um joelho que tenha sido operado ou lesionado que estão mais perto da superfície da pele. E a filosofia perguntará: o que é dor? Tudo está determinado? O que é a gravidade que mantém um oceano atmosférico sobrenossas cabeças? Dois objetos chegam realmente juntos ao chão, independente da massa? Por que então a lua nunca caiu sobre a Terra? Não seriam necessários relógios cada vez mais precisos (e uma série sem fim deles) para procurar uma diferença pequeníssima entre os dois objetos? Etc. A desvantagem é que ensinar filosofia seria algo muito precoce para a cabeça dos adolescentes. Mas, não vemos nisso umproblema. A questão central é saber qual a formação necessária que deve ter um professor para dar aulas de filosofia. Pergunto isso, pois houve uma estagiária que me substituiu e se saiu melhor do que eu. Suas aulas davam espaço aos alunos para exporem suas juvenis idéias. Mas, isto é filosofar? Em parte, sim, ter idéias próprias é importante, mas não é tudo. Como não recorrer aos pensadores...
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