Livro completo o senhor das moscas

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O Senhor das Moscas [Wilham Golding]

MIL FOLHAS
Colecção Mil Folhas PÚBLICO
O SENHOR DAS MOSCAS
Wilham Golding
Título original: The Lord of Flies
Tradução: Luís de Sousa Rebelo
© Vega, Limitada (D 2002 BIBLIOTEX, S.L. para esta edição)
© Mediasat Group/Prontoway Portugal
Impressão Printer, Industria Gráfica, S.A, Barcelona
Data de impressão Maio de 2002
ISBN 84-8130-506-5 DepósitoLegal B. 18 095-2002
PÚBLICO COMUNICAÇÃO SOCIAL S.A
Rua João de Barros 265
41050-414 Porto
Este livro é vendido exclusivamente com o jornal PÚBLICO.
Todos os direitos reservados.
WILLIAM GOLDING
O Senhor das Moscas
Tradução de Luís de Sousa Rebelo
COLECÇÃO MIL FOLHAS

2

I - A VOZ DO BÚZIO
O garoto de cabelo cor-de-mel agachou-se, deixou-se escorregar ao longo do
último troço dorochedo e encaminhou-se para a lagoa. Embora tivesse tirado o
blusão, parte do seu uniforme escolar, e o arrastasse agora pela mão, a camisa
cinzenta colava-se-lhe à pele e o cabelo encodeava-se-lhe na testa. À sua volta, a
funda clareira rasgada na selva era um banho de calor. Rompia pesadamente por
entre as lianas e os troncos quebrados, quando um pássaro, uma visão de vermelho e
amarelo,cintilou numa fuga para o alto com um grito de feitiço. A este grito o eco
respondeu com outro.
― Eh! ― disse uma voz. ― Espera um momento!
O matagal, num dos bordos da clareira, agitou-se e uma saraivada de gotas de
água caiu com estridor.
― Espera um momento ― repetia a voz. ― Estou aqui preso.
O garoto de cabelo cor-de-mel abaixou-se e repuxou as peúgas com um gesto
automático que fez comque a seiva por um momento se parecesse com os condados
ingleses.
A voz ouvia-se de novo.
― Nem me posso mexer com todas estas trepadeiras.
O dono da voz emergiu, esbracejando com o restolho alto, de modo que os
ramalhos vibraram contra uma pala sebenta. As rótulas nuas dos joelhos eram
grossas e tinham sido apanhadas e arranhadas por espinhos.
Debruçou-se, tirou cuidadosamente os espinhos evoltou-se. Era mais baixo
que o garoto louro e muito gordo. Adiantou-se, buscando piso seguro para os pés, e
olhou então através dos óculos de lentes grossas.
― Onde está o homem com o megafone?
O rapazinho louro abanou a cabeça.
― Estamos numa ilha. Pelo menos assim parece. Um recife no meio do mar.
Talvez até não haja aqui gente crescida.
O gorducho olhou com um ar surpreendido.
― Haviao piloto. Mas não estava com os passageiros, estava à frente, na
cabina.
O garoto de cabelo cor-de-mel mirava o recife, de olhos franzidos.
― E todos os outros miúdos... ― prosseguia o gordo. ― Alguns deles devem
ter escapado, não é verdade?
O rapaz louro começou a dirigir-se para a água tão casualmente quanto lhe era
possível. Procurava estar à vontade e não se mostrar excessivamentedesinteressado,
mas o gorducho correu atrás dele.
― Mas não há aqui gente crescida?
― Creio que não.

3

O garoto de cabelo cor-de-mel disse isto solenemente, mas de súbito subjugouo o prazer de uma ambição realizada. Fez o pino no meio da clareira e riu-se para a
figura invertida do companheiro.
― Não há gente crescida!
O gordo pensou um momento.
― O piloto.
O louro deixou que os péstocassem o solo e sentou-se na terra que revessava
humidade.
― Deve ter continuado a voar depois de nos ter lançado. Não podia aterrar
aqui. Pelo menos num avião com rodas.
― Fomos atacados.
― Há-de cá voltar.
O gorducho abanou a cabeça.
― Quando começámos a descer, espreitei por uma das vigias. Vi a outra parte
do avião. Estava em chamas.
Olhou demoradamente toda a clareira.
― E tudo istofoi causado por um tubo.
O louro estendeu o braço e tocou no rebordo dentado de um tronco. Por um
momento pareceu interessado.
― E que foi que lhe aconteceu? ― perguntou ele. ― Para onde foi agora?
― A tempestade arrastou-o para o mar. Era bem perigoso com todos os troncos
de árvores a caírem. Ainda devem estar dentro do avião alguns miúdos.
Hesitou por um momento e depois tornou a falar.
―...
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