Livro as cronicas de narnia

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C. S. LEWIS


AS CRÔNICAS DE NÁRNIA

VOL. I

O SOBRINHO DO MAGO


Tradução
Paulo Mendes Campos


Martins Fontes
São Paulo 2002

As Crônicas de Nárnia são constituídas por:

Vol. I – O Sobrinho do Mago

Vol. II – O Leão, o Feiticeiro e o Guarda-Roupa

Vol. III – O Cavalo e seu Menino

Vol. IV – Príncipe Caspian

Vol. V – A Viagem do Peregrino da Alvorada

Vol. VI – ACadeira de Prata

Vol. VII– A Última Batalha



Para a família Kilmer
ÍNDICE


1. A porta errada
2. Um diálogo estranho
3. Um bosque entre dois mundos
4. O sino e o martelo
5. A palavra execrável
6. Começam as complicações de tio André
7. O que aconteceu na rua
8. A briga
9. A criação de Nárnia
10. A primeira piada
11. Digory e o tio emapuros
12. A aventura de Morango
13. Um encontro inesperado
14. Planta-se uma árvore
15. Fim desta história e começo de todas as outras



1


A PORTA ERRADA










O que aqui se conta aconteceu há muitos anos, quando vovô ainda era menino. É uma história da maior importância, pois explica como começaram as idas e vindas entre o nosso mundo e a terra de Nárnia.Naqueles tempos, Sherlock Holmes ainda vivia em Londres e as escolas eram ainda piores que as de hoje. Mas os doces e os salgadinhos eram muito melhores e mais baratos; só não conto para não dar água na boca de ninguém.


Naquela época vivia em Londres uma garota que se chamava Polly. Morava numa daquelas casas que ficam coladas umas nas outras, formando uma enorme fileira.Uma bela manhã ela estava no quintal quando viu surgir por cima do muro vizinho o rosto de um garoto. Polly ficou muito espantada, pois até então não havia crianças naquela casa, apenas os irmãos André e Letícia Ketterley, dois solteirões que moravam juntos.


Por isso mesmo, arregalou os olhos, muito curiosa. O rosto do menino estava todo encardido. Não poderia estar maisencardido, mesmo que ele tivesse esfregado as mãos na terra, depois chorado muito e então enxugado as lágrimas com as mãos sujas. Aliás, era mais ou menos isso que havia acontecido.


– Oi – disse Polly.


– Oi – respondeu o menino. – Qual é o seu nome?


– Polly. E o seu? – Digory.


– Puxa, que nome sem graça! – disse ela.


– Acho Polly muito mais semgraça.


– Não é, não.


– É, sim.


– Bom, pelo menos eu lavo o rosto – disse Polly. – É o que você deveria fazer, principalmente depois... – e parou. Ia dizer: “Principalmente depois de ter chorado por aí”, mas achou que isso não seria muito delicado.


– Está bem, chorei mesmo – disse Digory, bem alto. Sentia-se tão infeliz que nem se incomodava que soubessem queandara chorando. – Você também choraria, se tivesse vivido a vida inteira no campo, e tivesse tido um pônei, e um rio no fundo do quintal, e de repente viesse morar nesta droga de buraco...


– Londres não é um buraco – reclamou Polly, indignada. Mas o menino estava tão aborrecido que nem prestou atenção, continuando a falar:


–...e se seu pai estivesse na Índia e você tivessede viver com uma tia e um tio louco (quem ia gostar?), e isso porque eles têm de tomar conta de sua mãe... e se sua mãe estivesse doente e fosse... e fosse... morrer...


Aí o rosto de Digory ficou esquisito, como se ele estivesse fazendo força para não chorar. Polly falou com doçura:


– Desculpe. Eu não sabia de nada. – E, como não tinha mais o que dizer, ou querendo animar ogaroto, perguntou:


– Seu tio é mesmo doido?


– Ou é doido ou então há um mistério nisso. Ele tem um estúdio no último andar e tia Leta nunca me deixa ir lá. Isso não me cheira bem. Tem mais: sempre que ele quer me falar alguma coisa na hora do jantar, ela não deixa, dizendo: “Não aborreça o menino, André.” Ou então: “Digory não está nada interessado nisso.” Ou: “Digory, acho...
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