Livro 1408 - stephen king

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  • Publicado : 15 de novembro de 2011
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1.408
Assim como a sempre popular história de enterro prematuro, todo escritor de terrorsuspense deveria escrever pelo menos um conto sobre a Sala Fantasma n Hotel. Está é a minha versão dessa história. A única coisa pouco habitual nisso é que nunca pretendi termina-la. Escrevi as primeiras três ou quatro páginas como parte de um apêndice para meu livro On Writing (Sobre Escrever), querendomostrar aos leitores como uma história desenvolve-se do primeiro esboço para um segundo. Queria principalmente fornecer exemplos concretos dos princípios sobre os quais eu vinha tagarelando no texto. Mas algo bacana aconteceu: a história me seduziu, e acabei escrevendo-a toda. Acho que o que nos assusta varia amplamente de indivíduo para indivíduo (nunca consegui entender por que boomslangs peruanassão calafrios em algumas pessoas, por exemplo), mas esta história me assustou enquanto eu trabalhava em seu texto. Ela apareceu originalmente como parte de uma coletânea em áudio chamada Blood and Smoke [Sangue e Fumaça], e o áudio me assustou ainda mais. Chegou mesmo a me apavorar. Mas quartos de hotel são locais naturalmente sinistros, não acha? Isto é quantas pessoas dormiram naquela cama antesde você? Quantas estavam doentes? Quantas estavam enlouquecendo? Quantas talvez pensassem em ler alguns versículos finais da Bíblia na gaveta da mesinha para depois se enforcarem no closet ao lado da tevê? Brrr. De qualquer modo, vamos entrando. Aqui está a sua chave... e pode observar com calma o que esses quatro números inocentes significam. É bem no final do corredor.

I MIKE ENSLIN ESTAVAainda à porta giratória quando viu Olin, o gerente do Hotel Dolphin, sentado numa das superestofadas poltronas da sala de estar. O coração de Mike afundou. Talvez eu devesse ter trazido o advogado novamente, pensou. Bem, agora era tarde demais. E mesmo se Olin tivesse resolvido colocar mais um ou dois obstáculos entre Mike e o quarto 1.408, isso não era de todo mau; havia compensações. Olin estavacruzando a sala com uma rechonchuda mão estendida quando Mike deixou para trás a porta giratória. O Dolphin situava-se na Rua Sessenta e Um, perto da esquina da Quinta Avenida, pequeno mas elegante. Um casal vestido a rigor passou por Mike quando ele alcançou a mão de Olin, mudando para mão esquerda a pequena bolsa com roupas e alguns objetos. A mulher era loura e usava um vestido preto, claro, eseu perfume leve e florido parecia sintetizar Nova York. No bar do mezanino, alguém tocava “Night and Day” com se sublinhasse tal sintetização. - Sr. Enslin. Boa-noite. - Sr. Olin. Algum problema? Olin parecia magoado. Por um momento, ele relanceou os olhos pelo saguão pequeno saguão pequeno elegante, como se buscasse ajuda.No balcão da recepção, um homem discutia sobre entradas de teatro com amulher, enquanto o próprio recepcionista os observava com um leve sorriso paciente. À mesa da frente, um homem, com uma aparência que só se tem após longas horas de Classe Executiva, discutia sua reserva com uma mulher num elegante terninho preto que poderia ser usado também como traje de noite. Os negócios corriam como sempre no Hotel Dolphin. Havia ajuda para todos, exceto para o pobre Sr. Olin,que caíra nas garras do escritor. - Sr. Olin? – repetiu Mike. - Sr. Enslin... posso falar um momento com o senhor no meu escritório? Bem, por que não? Isso ajudaria na parte sobre o quarto 1.408, aumentaria o tom agourento pelo qual os leitores de seus livros pareciam ansiar, e não era tudo. Mike Enslin não tivera certeza até agora, apesar de todas as informações coletadas; agora tinha. Olin estavarealmente com medo do quarto 1.408, e do que pudesse acontecer a Mike ali, naquela noite. - Claro, Se. Olin. Olin, o bom hospedeiro, estendeu a mão para a valise de Mike. - Permita-me. - Não se preocupe – disse Mike. – Aqui tem apenas uma muda de roupa e uma escova de dente. - Tem certeza? - Tenho – disse Mike. – Já estou usando minha camisa havaina da sorte. – Sorriu. – É a que tem repelente...
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