liturgia

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  • Publicado : 20 de abril de 2014
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A ação salvífica de Cristo continuada na liturgia
Dr. Rafael Vitola Brodbeck
 
“Na celebração litúrgica, a Igreja é serva à imagem do seu Senhor, o único ‘liturgo’, participando de seu sacerdócio (culto) profético (anúncio) e régio (serviço de caridade).
 
Com razão, portanto, a liturgia é tida como o exercício do múnus sacerdotal de Jesus Cristo, no qual, mediante sinais sensíveis, ésignificada e, de modo peculiar a cada sinal, realizada a santificação do homem, e é exercido o culto público integral pelo Corpo Místico de Cristo, cabeça e membros. Disto se segue que toda a celebração litúrgica, como obra de Cristo sacerdote e de seu corpo que é a Igreja, é ação sagrada por excelência, cuja eficácia, no mesmo titulo e grau, não é igualada por nenhuma outra ação da Igreja.” (Cat.,1070)
 
Sabemos que Nosso Senhor nos salvou por sua morte vicária na Cruz. Lá saldou nossa dívida com o Pai, pagando o preço de nosso pecado. Na Cruz, ofereceu seu sacrifício, de uma vez por todas, constituindo-se, ao mesmo tempo, vítima e sacerdote. Ao contrário dos antigos cordeiros da Lei Mosaica, que eram oferecidos por um sacerdote, Jesus não foi morto por outros, mas se entregou livremente.Ele é não só o Cordeiro, como o Sacerdote, o Sumo Sacerdote.
 
Essa sua morte é tornada nova e realmente presente em cada Missa. A Missa é o mesmo sacrifício da Cruz. Altar e Cruz possuem a mesma identidade substancial. É de fé essa sentença.
 
Entretanto, não apenas há uma relação entre a Missa e a Cruz. Toda a liturgia, desde a celebração dos sacramentos, passando pelos sacramentais, até arecitação do breviário, é ação do sacerdócio de Cristo. Toda a liturgia, pois, deriva da Cruz.
 
Santo Tomás mesmo nos diz: “Todo o rito do culto cristão é derivado do sacerdócio de Cristo.” (S. Th., III, q. 63, a. 3) O Catecismo da Igreja Católica desenvolve essa sentença do Angélico: “Pela liturgia, Cristo, nosso redentor e sumo sacerdote, continua em sua Igreja, com ela e por ela, a obra denossa redenção.”  (Cat., 1069) Também a grande Encíclica de Pio XII sobre a liturgia é magistral em sua definição: O “sacerdócio de Jesus Cristo está sempre em ato na sucessão dos tempos, não sendo a liturgia outra coisa que o exercício desse sacerdócio.” (Mediator Dei, 19)
 
Nesse sentido, temos que a ação mais sagrada da Igreja é a liturgia, culminando na Missa, mas não esgotando nela. Aliturgia decorre, toda ela, do sacerdócio de Jesus Cristo. Sua ação salvífica na Cruz, ainda que na Missa seja tornada substancialmente real, é continuada, de modo misterioso, em cada ato do culto cristão, seja em um Batismo, na absolvição dos penitentes, na dedicação de uma igreja, em uma procissão de Corpus Christi, no canto solene das Vésperas, na bênção de uma residência.  A própria eficácia de todaação litúrgica é proveniente da graça conquistada na Cruz. Não só da Cruz, aliás, brota a liturgia. Santo Tomás, com sua habitual clareza e concisão, explana que os sacramentos e todo culto derivam “sua eficácia do próprio Verbo Encarnado.” (S. Th., III, q. 60) É toda a vida de Cristo sua ação salvífica, desde a Encarnação até a Ascensão aos céus, e, vivo que está, por isso mesmo é continuada noscéus. E já que, na liturgia, o céu e a terra se unem e a mesma Igreja é una, ainda que constituída de parcelas triufante, padecente e militante, é nessa liturgia que, do céu, Cristo continua sua obra de salvação, completada, claro, no Mistério Pascal e, sobretudo, na Cruz, porém feita no decorrer de toda a sua vida, a partir da Encarnação.
 
Não por outra razão, a desobediência às normaslitúrgicas, por menor que seja, constitui um atentado de certa gravidade. As rubricas, embora emanadas da autoridade meramente humana da Igreja, encontram sua razão mais profunda na história da salvação, na entrega sacrifical de Cristo na Cruz. Defender a Missa “do Missal”, o uso dos paramentos corretos, a escolha de tal ou qual formulário, o impedimento de certos gestos e ritos, não é rubricismo....