Literatura africana

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FACULDADE APUCARANA CIDADE EDUCAÇÃO
DEPARTAMENTO DE LETRAS
LETRAS/INGLÊS - 2009
LITERATURA AFRICANA







Sheila Navas Nascimento







JOSÉ CRAVEIRINHA

SINTESE DO TEXTO: O MOVIMENTO DA NEGRITUDE

LITERATURA ANGOLANA E SEUS AUTORES











Apucarana
2011
SUMÁRIO1. Biografia e Bibliografia de José Craveirinha ...................................... 3

2. Síntese do texto: O movimento da Negritude ..................................... 7

3. Literatura de Angola e seus autores ..................................................... 8

4. Referências ............................................................................................. 10Biografia - José Craveirinha


O que sabemos de Moçambique?
Bastaria dizer José Craveirinha e saberíamos muito. O poeta é um país, um jeito de silenciar, uma mistura explosiva entre oceano, nativismo negro, furor da terra e n'goma (tambores ressoando). Mas poucos conhecem Moçambique e Craveirinha, apesar domulticulturalismo e africanidade ostentados pelos brasileiros. Da literatura africana, arranha nossa porta a ficção de Pepetela, Mia Couto e José Eduardo Agualusa. Nenhum sinal de poesia, que somente pode ser conhecida via edições de Lisboa. Craveirinha foi o maior poeta africano. Representa uma natureza sofrida, resistente, encarna as transformações de Moçambique nas últimas quatro décadas e quepontuou no noticiário brasileiro em rápido bloco internacional. Dificilmente uma obra literária se mesclou tão perfeitamente aos conflitos de sua época e aos tormentos de seu povo. Literatura é, neste caso, vida antecipada. Moçambique alcançou a independência em 1975, após mais de uma década de luta contra o exército português. Teve de enfrentar a guerra de agressão promovida pelos regimesracistas que dominavam a então Rodésia (atual Zimbabué) e a África do Sul. Nos anos 80, mergulhou em terrível guerra civil. Ao lado da destruição beligerante, a seca implacável suplantava a esperança (Mia Couto retratou com minúcia a escalada de violência em Terra Sonâmbula).
O caldeirão de som e selvageria desencadeou uma das vozes mais ternas da língua portuguesa. Prêmio Camões de 1991, a maisalta distinção literária do idioma, Craveirinha foi atleta, jornalista, ativista social sob o pseudônimo de Mário Vieira e presidente da Associação de Escritores Moçambicanos. Começou sua atividade literária no jornal O Brado Africano, atuando depois como jornalista em Notícias, A Tribuna, Notícias da Beira, O Jornal e a Voz de Mocambique. Sua estréia na literatura aconteceu com Chigubo (1964).Logo após seu lançamento, conheceu os porões da repressão e esteve preso de 1965 a 1969. Natural de Lourenço Marques (Maputo), morreu aos 80 anos em 6 de fevereiro. Autor de Cantico a un Dio de Catrame (1966) e Karingana ua Karingana (1974), sua morte não balançou os obituários, restrita às parcas linhas desse parágrafo.
Craveirinha é uma espécie de Nicolás Guillen de Moçambique. Como ocubano centenário, sua poesia nasceu gritada, ricocheteando a voz em munição da miséria. Dialetos inflamam a garganta a subir alto. “E seu grito de Mãe é um chiuáia-uáia de desespero. E o mato desperta em assombrações de lua e o velho batuque fermenta os espíritos”. Em sua parelha de sons, narra o conflito da superfície do mundo, opressora, governista e racista (“os botões amarelos das fardasmetálicas”) com as funduras da ancestralidade, impulsiva e ligada aos clamores da plantação, aos hábitos e à exultação africana (“os homens desta terra/ dançam as danças do tempo de guerra/ das velhas tribos juntas na margem do rio”). Seu apelo se mistura à denúncia, à indisposição atávica contra a segregação racial. “E brinquedos de trapos não se misturam na Munhuana/ com bonecas loiras
de sapato e...
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