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Universidade de São Paulo – Faculdade de Educação Seminários de Epistemologia e Didática – 1o semestre / 2003 Vladimir Fernandes 1 A FILOSOFIA DAS FORMAS SIMBÓLICAS DE ERNST CASSIRER [1]

1.1 Ponto de partida: a “revolução copernicana” de Kant

Para se compreender os problemas tratados na “Filosofia das formassimbólicas” de Ernst Cassirer pode-se iniciar pela chamada “revolução copernicana” realizada por Immanuel Kant. Por “revolução copernicana” deve-se entender a transformação realizada por Kant na epistemologia, semelhante à transformação realizada por Nicolau Copérnico na concepção do universo. A teoria proposta por Copérnico no século XVI provoca uma verdadeira revolução no modelo tradicionalgeocêntrico aceito até então. Na teoria heliocêntrica de Copérnico, a Terra perde seu lugar privilegiado na hierarquia do sistema e o Sol passa a ocupar o seu lugar. Kant autodenominou que realizou um tipo de “revolução copernicana” no campo epistemológico. O problema sobre a origem do conhecimento era respondido até o século XVIII por duas principais teorias: a do racionalismo e a do empirismo. Osracionalistas, de um modo geral, priorizam a razão no processo do conhecimento e aceitam a existência de idéias inatas, independentes da experiência. Já os empiristas, de um modo geral, enfatizam o papel da experiência sensível para aquisição do conhecimento. O conhecimento depende e resulta da soma e associação das sensações exteriores na percepção, ou seja, o sujeito na aquisição do conhecimentotem uma relação passiva com o mundo. Porém, segundo Kant, as investigações sobre o conhecimento não devem partir dos objetos do conhecimento, mas sim da própria razão que produz o conhecimento. Assim como Copérnico colocou o Sol no centro do sistema, Kant coloca a razão no centro das investigações, para que primeiramente fosse examinado como se processa e se fundamenta o conhecimento e o que épossível conhecer.
Kant irá concluir nos seus estudos que não são os sujeitos que se conformam aos objetos, mas sim que são os objetos que se conformam às faculdades do sujeito. Para ele, a razão é uma estrutura a priori, isto é, anterior à experiência e independente dela. Já os seus conteúdos são empíricos, isto é, dependem da experiência. Nossa percepção do mundo ocorre no espaço tempo, eestas são categorias a priori. Essas duas formas existem em nossa consciência antes de qualquer experiência. O mundo é percebido segundo as características da razão humana. Por isso sabemos como o mundo se “mostra para nós” (fenômenos), mas não somos capazes de conhecer a “coisa em si” (noumeno). Portanto, conhecimento para Kant é o conhecimento dos fenômenos. E só na ciência (mecânicanewtoniana) é possível conhecimento universal e necessário. Para Kant a objetividade da ciência encontra-se na possibilidade de fundar leis. E as leis científicas são possíveis graças às relações causais que há entre os fenômenos.




1.2 A ampliação da “revolução copernicana”

No segundo volume de sua Filosofia das Formas Simbólicas, Cassirer afirma ter realizado em sua filosofia umaampliação da inversão kantiana. “A ‘filosofia das formas simbólicas’ adota esta idéia crítica fundamental, este princípio em que se apóia a ‘inversão copernicana’ de Kant, a fim de ampliá-lo” (1925a, p.51).[2] Cassirer concorda com a “revolução copernicana” de Kant, mas vê nela um limite: restringir a esfera do conhecimento ao físico-matemático.
Se para Kant a ciência era concebida como umconhecimento universal e necessário, a esfera da objetividade por excelência, em Cassirer a ciência passa a ser compreendida como um conhecimento simbólico, uma “construção” simbólica em meio a outras. Nessa perspectiva, perde seu caráter universal e necessário e se coloca no mesmo patamar de outros conhecimentos simbólicos, de outras formas simbólicas.
A epistemologia kantiana é diferente da...
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