Lira dos vinte anos

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1 Lira dos Vinte Anos, de Álvares de Azevedo Fonte: AZEVEDO, Álvares de. "Lira dos Vinte Anos". São Paulo: Martins Fontes, 1996. (ColeçãoPoetas do Brasil) Texto proveniente de: A Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro A Escola do Futuro da Universidade de São Paulo Permitido o uso apenas para fins educacionais. Texto-base digitalizado por: Marian Nieves Este material pode ser redistribuídolivremente, desde que não seja alterado, e que as informações acima sejam mantidas. Para maiores informações, escreva para . Estamos em busca de patrocinadores e voluntários para nos ajudar a manter este projeto. Se você quiser ajudar de alguma forma, mande um e-mail para ou .

LIRA DOS VINTE ANOS Cantando a vida, como o cisne a morte. BOCAGE Dieu, amour et poésie sont les trois mots que jevoudrais seuls graver sur ma pierre, si je mérite une pierre. LAMARTINE São os primeiros cantos de um pobre poeta. Desculpai-os. As primeiras vozes do sabiá não têm a doçura dos seus cânticos de amor. É uma lira, mas sem cordas; uma primavera, mas sem flores; uma coroa de folhas, mas sem viço. Cantos espontâneos do coração, vibrações doridas da lira interna que agitava um sonho, notas que o ventolevou — como isso dou a lume essas harmonias. São as páginas despedaçadas de um livro não lido... E agora que despi a minha musa saudosa dos véus do mistério do meu amor e da minha solidão, agora que ela vai seminua e tímida, por entre vós, derramar em vossas almas os últimos perfumes de seu coração, ó meus amigos, recebei-a no peito e amai-a como o consolo, que foi, de uma alma esperançosa, quedepunha fé na poesia e no amor — esses dois raios luminosos do coração de Deus. À MINHA MÃE Se a terra é adorada, a mãe não é mais digna de veneração. Digest of hindu law. Como as flores de uma árvore silvestre Se esfolham sobre a leiva que deu vida A seus ramos sem fruto, Ó minha doce mãe, sobre teu seio Deixa que dessa pálida coroa Das minhas fantasias Eu desfolhe também, frias, sem cheiro, Flores daminha vida, murchas flores Que só orvalha o pranto!

2 PRIMEIRA PARTE NO MAR Les étoiles s’allument au ciel, et la brise du soir erre doucement parmi les fleurs: rêvez, chantez et soupirez. GEORGE SAND Era de noite: — dormias, Do sonho nas melodias, Ao fresco da viração, Embalada na falua, Ao frio clarão da lua, Aos ais do meu coração! Ah! que véu de palidez Da langue face na tez! Como teusseios revoltos Te palpitavam sonhando! Como eu cismava beijando Teus negros cabelos soltos! Sonhavas? — eu não dormia; A minh’alma se embebia Em tua alma pensativa! E tremias, bela amante, A meus beijos, semelhante Às folhas da sensitivas! E que noite! que luar! E que ardentias no mar! E que perfumes no vento! Que vida que se bebia Na noite que parecia Suspirar de sentimento! Minha rola, ó minhaflor, Ó madresilva de amor, Como eras saudosa então! Como pálida sorrias E no meu peito dormias Aos ais do meu coração! E que noite! que luar! Como a brisa a soluçar Se desmaiava de amor! Como toda evaporava Perfumes que respirava Nas laranjeiras em flor! Suspiravas? que suspiro! Ai que ainda me deliro Entrevendo a imagem tua Ao fresco da viração, Aos ais do meu coração, Embalada na falua! Comovirgem que desmaia, Dormia a onda na praia! Tua alma de sonhos cheia

3 Era tão pura, dormente, Como a vaga transparente Sobre seu leito de areia! Era de noite — dormias, Do sonho nas melodias, Ao fresco da viração; Embalada na falua, Ao frio clarão da lua, Aos ais do meu coração.

SONHANDO Hier, la nuit d’été, que nous prêtait ses voiles, Était digne de toi, tant elle avait d’étoiles! VICTOR HUGONa praia deserta que a lua branqueia, Que mimo! que rosa! que filha de Deus! Tão pálida... ao vê-la meu ser devaneia, Sufoco nos lábios os hálitos meus! Não corras na areia, Não corras assim! Donzela, onde vais? Tem pena de mim! A praia é tão longa! e a onda bravia As roupas de gaza te molha de escuma... De noite, aos serenos, a areia é tão fria... Tão úmido o vento que os ares perfuma! És tão...
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