Linguistica

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A ENUNCIAÇÃO EM BENVENISTE E BAKHTIN:EXCLUSÕES SAUSSURIANAS Karina Giacomelli(Mestranda em Letras UFSM) 2 A enunciação em BenvenisteMuitos trabalhos desenvolvidos na área da linguística têm como interesse a enunciação. Entretanto, ao contrário do que muitos pensam, não temos uma teoria da enunciação, mas um conjunto de teorias que perseguem esse objeto de estudo. Entre elas, podemos citartrabalhos de Bakhtin, Jakobson e Benveniste.Nosso interesse se volta para a enunciação conforme descrita e abordada por Émile Benveniste (1989, p. 82): “A enunciação é este colocar em funcionamento a língua por um ato individual de utilização.” Trata-se, portanto, de um ato, constituído de um locutor que fala a um interlocutor e, em função disso, mobiliza a língua por sua conta.Segundo Benveniste, aenunciação pode ser estudada sob diversos aspectos, dentre os quais ele focaliza três: a realização vocal da língua; a conversão da língua em discurso; e a definição da enunciação no quadro formal de sua realização. Passemos rapidamente à explanação de cada um deles e deter-nos-emos no último deles, uma vez que é a ele que o objetivo de nossa investigação se circunscreve.No que diz respeito aoprimeiro deles, a realização vocal da língua, encontramos em Benveniste (1989, p. 82) uma rápida referência às diferenças sonoras decorrentes da realização individual dos sons entendida como uma característica enunciativa. Reconhecemos aí um importante pressuposto para a investigação de muitos fenômenos linguísticos em condição específica de uso da língua, mas não temos aqui o interesse de “navegar poresses mares”.Em relação ao segundo aspecto, a conversão individual da língua em discurso, podemos reconhecer sua presença em nosso trabalho, uma vez que este procura dar conta da semantização da língua e, a nossos olhos, a enunciação está intimamente relacionada à construção do sentido. Logo, sempre que abordarmos aspectos enunciativos, abordaremos a conversão individual da língua em discurso. Resumo: Saussure, no Curso de Lingüística Geral, instituiu, como objeto da Lingüística, a língua, deixando para a fala o individual, o subjetivo, e excluindo, portanto, o referente, o sujeito, a história. Desde então, tem havido tentativas de repor esses aspectos. Este artigo objetiva discutir a enunciação em dois dos mais significativos autores que empreenderam essa tarefa, Benveniste e Bakhtin,buscando destacar pontos em comum e divergência entre ambos, e relacionando-os ao mestre genebrino. Dessa forma, procurar-se-á apresentar algumas questões desses autores, que procuraram incluir o sujeito no objeto da Lingüística. |
Palavra-chave: Enunciação, exclusões saussurianas. |
 1. Introdução A Lingüística, ao se constituir como ciência, instituiu a dicotomia saussuriana língua/fala e elegeua primeira como seu objeto. Ela foi conceituada como um sistema de signos - ou seja, unidades organizadas formando um todo - e estes como a associação entre significante (imagem acústica) e significado (conceito). Assim, foram definidos pelas relações entre eles mesmos, sem qualquer determinação externa.Isso limitou a questão do sentido a uma relação interna do sistema lingüístico, pois um signosignifica o que outro não significa. Dessa forma, a significação não se relaciona ao mundo aos objetos fora da língua, embora esta tenha tido destacada, por Saussure, seu caráter social, coletivo. "Ela [a língua] é a parte social da linguagem, exterior ao indivíduo, que, por si só, não pode criá-la nem modificá-la; ela não existe senão em virtude duma espécie de contrato estabelecido entre osmembros da comunidade" (SAUSSURE, s/d, p.22).Esse social da língua se caracteriza como aquilo que está em todos, ou seja, ela só está completa no conjunto total da comunidade que fala essa língua, o caráter coletivo e partilhado de sistema. "A relação desse sistema com o exterior sócio-histórico, e por conseguinte com o sujeito, não se coloca: é um domínio da fala"(FONTANA, 1991, p. 45).A partir de...
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