Licenciado

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 15 (3627 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 22 de abril de 2013
Ler documento completo
Amostra do texto
119

A GÊNESE DE CRISTAS DE PRAIAS E DUNAS FRONTAIS
Prof. Phd. Patrick Hesp Geography and Anthropology Louisiana State University pahesp@lsu.edu

RESUMO
A origem de cristas praiais (beach ridges, cristas de praia) formadas em ambiente de mar aberto e de micromarés na costa australiana é revisada. Na literatura clássica, existem três teorias principais sobre a evolução dessas formas, duassugerindo uma origem marinha, outra uma origem eólica. São apresentados dados relativos à evolução moderna de cristas de praia e dunas frontais incipientes nas regiões de Myall Lakes e Cervantes, que apóiam fortemente a hipótese de origem eólica. As dunas frontais incipientes formam-se a partir de uma diversidade de processos que conduzem à construção de rampas, terraços ou cristas, em função detaxas de progradação, tipos de cobertura vegetal, transporte de sedimentos e balanço dos processos erosivos. Palavras chave: dunas frontais, cristas de praia, evolução de praias.

ABSTRACT
The genesis of sand “beach ridges” formed on openocean, microtidal Australian coasts is reviewed. Three major theories of evolution have been proposed, one suggesting a marine origine, the other an aeolianorigin. Data are presented on the mordern evolution of “beach ridges” and incipient foredunes at Myall Lakes, NSW, and Cervantes, WA, which strongly supports an aeolian genesis. Incipient foredunes may be initiated in a variety of ways leading to the formation of ramps, terraces or ridges depending on progradation rates, vegetation type and cover, sediment transport rates and scale of erosionalprocesses.

Key words: foredunes, beach ridges, beachs evolution

Introdução: os modelos clássicos acerca da gênese de dunas frontais Dunas frontais (foredunes, dunes bordières) são cristas dunares arenosas vegetalizadas formadas nos setores mais próximos do mar das faixas de pós-praia. Elas podem ser formadas em uma diversidade de ambientes litorâneos: na faixa de praia em mar aberto, baíassemifechadas, estuários, lagos e lagoas (Zenkovich, 1967; Goldsmith, 1989l, Nordstrom,1992), em praticamente todos os tipos de climas, das áreas tropicais ao Ártico (e.g. Wong, 1978). Tais formas são denominadas por uma grande variedade de termos: além da terminologia “dunas frontais”, elas também têm sido chamadas de dunas embrionárias (embryo dunes), cristas de retenção (retention ridges), cristas depraia (beach ridges), cordões de dunas paralelas (parallel dune ridges) e dunas transversais (transverse dunes) (e.g. Hesp, 2002). Geralmente, essa formas representam cristas convexas vegetalizadas alinhadas paralelamente à faixa de praia, separadas entre elas por depressões côncavas. No sul da Austrália, formas semelhantes a dunas frontais foram freqüentemente definidas como “cristas de praia “ ou“cristas praiais” (beach ridges), tendo sido importante o debate estabelecido acerca de suas gêneses (e.g. Davies, 1957, 1977; Bird, 1965, 1976; Mackenzie, 1958; Thom, 1965; Hesp, 1988, 1989, 2002). Esse artigo apresenta uma breve revisão acerca da gênese das cristas de praia, através da análise dos três principais modelos até hoje discutidos na literatura especifica, dois deles sugerindo uma origemmarinha e o terceiro, uma origem eólica. Em 1957, Davies propôs o modelo de alternância entre erosão e deposição (cut-and-fill process) para a gênese de cristas praiais, caracterizado pela formação de um berma em condições de clima de onda calmo (fase “deposição”) que, uma vez não erodido subseqüentemente (fase “corte” ou erosão),
* Traduzido do texto em Inglês por Vanda Claudino Sales Mercator- Revista de Geografia da UFC, ano 01, número 02, 2002

120 tornar-se-ia o núcleo inicial para a evolução de uma crista de praia. A vegetação pioneira colonizaria a crista, dessa forma atuando como uma armadilha para as areias litorâneas. Após um certo período, um novo berma poderia ser da mesma forma construído face ao primeiro e os processos iniciais repetir-se-iam. Davies (1957) sugeriu...
tracking img