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FACULDADE ANHANGUERA

LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS
RIO GRANDE
2012

Na a Idade Antiga as pessoas que não escutavam eram tratadas de forma desumanas. Muitas delas eram excluídas do convívio social, outras eram atiradas de cima de penhascos ou lançados ao mar. Em outros espaços, como na Grécia, eles eram encarados como seres incompetentes. Por não possuir uma linguagem eram consideradosincapazes de raciocinar. Por isso, não recebiam educação, não tinham direitos e, geralmente, eram condenados à morte. Em Constantinopla eles realizavam tarefas, como serviço de corte, pajem e bobo da corte. Alguns religiosos ainda consideravam que eles nasciam desta forma por pecado dos pais.
Quem não conhecia esta parte da história pode considerar que isto seja um absurdo. De fato o é. Mas énecessário conhecer a história por inteiro a fim de que possamos compreender o porquê de determinadas coisas ainda acontecerem. Segundo Perlin e Strobel
Conhecer a história de surdos não nos proporciona apenas para adicionarmos conhecimentos, mas também para refletirmos e questionarmos diversos acontecimentos relacionados com a educação em várias épocas, por exemplo, por que atualmente apesar dese ter uma política de inclusão, o sujeito surdo continua excluído?
Estas pessoas hoje não são mortas, mas estão em uma situação que ainda não é a ideal para eles. Analisaremos, agora, quais são as visões existentes sobre a surdez e o reflexo delas na vida de cada um dos surdos: a clínico terapêutica e a sócio antropológica.
A visão clínico terapêutica percebe o ser que não escuta como alguémdoente, deficiente que precisa ser normalizado, medicado. Esta é a visão que se apoia no discurso médico de que todos precisamos estar dentro do padrão da normalidade, partindo do pressuposto de que o normal é ouvir. Segundo Lunardi-Lazzarin e Machado (2010, p. 23)
A surdez é fabricada como um fenômeno físico, a partir da noção de déficit sensorial. Em outras palavras, institui-se a necessidadede reabilitar o doente, transformá-lo em um ser humano normal, tendo como base a representação de que o normal é ouvir. É nesse espaço discursivo que emerge uma concepção clínico-terapêutica da surdez.
Com a preocupação de curar o doente em mente, estas pessoas são denominadas de deficientes auditivos e algumas são as ações que realizam a fim de reabilitá-lo. Estas crianças passam por anos detreino auditivo e fonoaudiológico a fim de tentar reproduzir a fala dos ouvintes. São infinitos exercícios de preparação do órgão fonador. Ações como estas são propostas por médicos e plenamente aceita pelas famílias, já que a promessa é que seu filho irá se transformar em um ouvinte.
Além do treino fonoaudiológico há também o implante coclear que é a inserção de um eletrodo na área específicado cérebro responsável pela audição. Este procedimento não pode ser feito em qualquer pessoa e requer muita cautela já que é um procedimento muito invasivo e que não garante sucesso nos resultados.
Ações como estas aliadas ao preconceito da sociedade fazem com que estas pessoas sintam-se desajeitadas frente à maioria ouvinte e usuários da fala. Isto ocasiona baixa auto estima, sentimento deincapacidade e inadequação, bem como efeitos psicológicos que podem ser irreparáveis. É forçar alguém a ser igual a outro, quando jamais poderá sê-lo.
A visão sócio-antropológica reconhece o ser que não escuta na sua dimensão política, linguística, social e cultural. Por isto denomina-os como surdos. Esta nomenclatura foi escolhida pelo povo surdo que prefere ser chamado desta forma, pois não éum nome que denota incapacidade, ineficiência, como no caso do termo ‘deficiente auditivo’.
Esta visão apoia-se na ideia de que os surdos têm uma própria cultura, que está baseada na língua de sinais, a primeira língua a ser adquirida pelos surdos como forma natural de construção de uma linguagem para a comunicação e interações sociais. Neste caso, a surdez é vista como diferença e não como...
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