Liberdade religiosa no brasil

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  • Publicado : 25 de outubro de 2011
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Liberdade Religiosa no Brasil. O Brasil realmente é um Estado laico?

* Doutrina

Se alguém perguntar: o Brasil é um Estado laico? Eu diria: - Não. O Brasil nunca foi um Estado laico, pois ele é um Estado concordatário. Até o dia 13 de novembro de 2008 era, implicitamente, concordatário. A partir desta data, assume, explicitamente, essa condição. E, por que, implicitamente, concordatário?Porque o Brasil tinha legislações que não tinham o nome de concordata, nem de acordo com o Vaticano, mas que privilegiavam, explicitamente, a Igreja Católica; não igrejas cristãs, mas a Igreja Católica.
Há um dispositivo legal, que não está na Constituição brasileira, explicitamente, que trata do laudêmio, que é um estatuto do direito medieval, que significa a propriedade de um terreno ou de umimóvel,  para além da propriedade individual.  Há três sujeitos de laudêmio no Brasil: a Marinha de Guerra, com os terrenos da costa; a família imperial; e a igreja católica nas cidades mais antigas do Brasil, como nos distritos centrais de São Paulo, do Rio de Janeiro e do Recife, por exemplo. O que significa o laudêmio? Se alguém é proprietário de um terreno ou de uma casa e vende um dessesimóvies, deve à municipalidade o imposto de transmissão, que está na ordem de 2,5% ou 3%; mas, se o imóvel está sujeito ao laudêmio, a pessoa que comprar o terreno deverá também, ao titular desse direito arcaico, o dobro do imposto de transmissão.
Além disso, o comprador deverá pagar, anualmente, uma determinada quantia. Isso é uma fonte de renda muito importante, garantida pelo Estado. Não está naConstituição brasileira, mas é direito líquido e certo. Ninguém pode deixar de recolher esse recurso. É impossível calcular, do ponto de vista prático, qual é o valor desse privilégio que o Estado brasileiro garante à Igreja Católica. Há outros exemplos, que não serão citados neste momento. Este já é suficiente para mostrar que o Estado brasileiro, parcialmente republicano, sempre foi, a despeitodo que aparecia na Constituição, um Estado concordatário.
A partir da Concordata firmada com o Vaticano, em fins de 2008, o Estado Brasileiro é manifestadamente concordatário. Trata-se de um acordo entre a República Federativa do Brasil e a Santa Sé que prescreve não os interesses comuns, mas apenas os interesses da Igreja Católica no Brasil.
De uma maneira geral, os itens da Concordatabrasileira são os mesmos da concordata firmada pelo governo de Portugal com a Santa Sé.  Parece que é como se houvesse uma espécie de modelito prévio a ser adaptado a cada caso.
Por exemplo, entre os artigos da Concordata brasileira há uma abordagem que envolve questões trabalhistas com os quadros da Igreja Católica. Vale ressaltar que esse ponto não está presente na concordata de Portugal. Sobre oensino religioso, ela diz sobre o direito dos jovens portugueses terem o ensino da religião e moral católicas na escola. Não fala dos outros credos, na concordata portuguesa. No Brasil, ela tem formato que parece misturar um pouco da legislação civil brasileira. Mas, sobre as questões trabalhistas, a Concordata separa os quadros da Igreja Católica de todos os demais da legislação trabalhistabrasileira e da Justiça do Trabalho. Ela retira de seu âmbito todos os casos de petições de reivindicações de direitos para sacerdotes, irmãos, leigos e freiras; enfim, do pessoal da igreja católica. A concordata estabelece que seu trabalho é necessariamente voluntário. Isso é incrível porque o que está acontecendo é que gente que trabalha para a Igreja Católica durante décadas e depois vai à Justiça doTrabalho e busca reivindicar direitos, vai encontrá-la legalmente impedida.
A clarificação desse ponto apareceu num jornal do Rio de Janeiro, O Globo. Um pequeno artigo publicado no dia seguinte ao da aprovação da concordata, assinado por um Juiz do Superior Tribunal do Trabalho, aliás, um militante direitista e criminizador do aborto, Ives Granda, dizia que, finalmente, essa ambigüidade foi...
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