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Canto I
Depois da Proposição, da Invocação e da Dedicatória, a acção começa in medias res com a frota de Vasco da Gama já no Oceano Índico, mas antes de chegar à Índia (estrofe 19).
O concílio dos deuses
Neste momento, é convocado o Concílio dos deuses (estâncias 20 a 41) para decidir se os portugueses devem ou não conseguir alcançar o seu destino. Júpiter afirma que sim, porque isso lhesestá predestinado.

O Nascimento de Vénus, de Bouguereau
Baco discorda porque, se isto for permitido, as suas próprias conquistas no Oriente serão esquecidas, ultrapassadas por este povo. Mas Vénus vê os portugueses como herdeiros dos seus amados romanos e sabe que será celebrada por eles. Camões era um homem de paixões, que também celebrava o amor na sua lírica, e talvez por isso tivesse escolhidoa deusa romana desse sentimento para patrona do seu povo.
Segue-se um tumulto, com os restantes olímpicos a tomar partido de Baco ou Vénus, até que o poderoso Marte se impõe, assustando Apolo num aparte (estrofe 37). O amante de Vénus, e admirador dos feitos guerreiros dos portugueses, lembra que não só já é merecido que consigam realizar a sua façanha, como Júpiter já tinha decidido concederesse favor e não deveria voltar atrás na palavra. O rei dos deuses concorda e encerra o concílio.
O discurso com que Júpiter começa a reunião é uma acabada peça de oratória. Abre com o inevitável exórdio (1ª estrofe) em que, depois de uma original saudação, expõe brevemente o tema a desenvolver. Segue-se, ao modo da retórica antiga, a narração (o passado mostra que a intenção dos fados é mesmo aque o orador apresentou). Vem depois a confirmação: com factos do presente corrobora o que já, a seu modo, a narração comprovara (4ª estrofe). E termina com duas estrofes de peroração, onde se apela à benevolência dos deuses para com os filhos de Luso - aliás, a decisão dos fados cumprir-se-á inexoravelmente. Contra o que seria de esperar, Júpiter conclui determinando e não abrindo o debate.(Marte)
A viseira do elmo de diamante
Alevantando um pouco, mui seguro,
Por dar seu parecer, se pôs diante
De Júpiter, armado, forte e duro:
E dando uma pancada penetrante,
Com o conto do bastão no sólio puro,
O Céu tremeu, e Apolo, de torvado,
Um pouco a luz perdeu, como enfiado. |
— Concílio dos deuses, estrofe 37 do Canto I |
A ilha de Moçambique e o piloto mouro
A acção volta então àfrota lusa, que chega à ilha de Moçambique. São acolhidos por muçulmanos que, intimidados pelo poderio bélico das naus, lhes prometem mantimentos e um piloto que os leve à Índia. Mas as suas verdadeiras intenções são a destruição dos portugueses. A inspiração do soberano mouro vem de Baco, que tomara a forma mortal de um dos seus conselheiros.
A primeira estratégia é atacar os marinheiros queforem a terra abastecerem-se de água. Mas estes, cuidadosos, vão armados e desbaratam as forças inimigas, prosseguindo depois com o bombardeamento da cidade. O regedor rende-se e oferece então um piloto que os conduza para terras inimigas, a segunda estratégia do deus do vinho.
Por duas vezes o piloto indica bons portos de acolhimento: uma terra de cristãos, que será uma referência ao reino de PresteJoão, e outra em que cristãos e muçulmanos viveriam juntos. Vasco da Gama confia no piloto. Mas Vénus, vendo que na realidade se trata de terras de muçulmanos capazes de vencer os portugueses, desvia a frota com ventos contrários. O primeiro porto é ultrapassado; o segundo é Mombaça, a pouca distância do qual a frota lança âncora. E o canto termina com duas estrofes plenas de suspense.
Canto IICaminho percorrido pela expedição de Vasco da Gama (a preto). Nesta figura também se pode ver o percurso de Pêro da Covilhã (a laranja) separado de Afonso de Paiva (a azul) depois da longa viagem juntos (a verde).
Cilada em Mombaça
O rei de Mombaça envia um mensageiro com promessas de bom acolhimento e pede que a armada entre no porto da cidade, mas com a intenção de armar uma emboscada....
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