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III. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Compreender o universo de interlocução entre leitor e autor é uma estratégia que poderá ampliar nosso espaço de mediação no que diz respeito às dificuldades de interpretação de textos dos alunos.
Para KLEIMAN,
a leitura é um ato social, entre dois sujeitos – leitor e autor – que interagem entre si, obedecendo a objetivos e necessidades socialmente determinados. Essadimensão interacional, que para nós é a mais importante do ato de ler, é explicitada toda vez que a base textual sobre a qual o leitor se apoia precisa ser elaborada, pois essa base textual é entendida como a materialização de significados e intenções de um dos interagentes à distância via texto escrito (1997; pág. 10).
Esta reflexão nos mostra que um texto não tem significado exclusivamente porsi mesmo. O seu sentido é construído na interação entre produtor e leitor. A autora defende que a compreensão do texto parece freqüentemente tarefa difícil uma vez que o objeto a ser compreendido é complexo envolvendo conhecimentos como compreensão de frases e sentenças, de argumentos, de provas formais e informais, de objetivos, de intenções, de ações e motivações.
“Para a compreensão do texto énecessário também poder relacioná-lo a um todo maior, dando-lhe coerência” (KLEIMAN; 1997; pág. 10).
Para compreender um texto, portanto, o leitor precisa deter os conhecimentos necessários à sua interpretação. No momento em que compreendemos o texto, estamos atribuindo-lhe significado através de uma reconstrução do mesmo. Utilizamos para isso o nosso repertório de leitura ativando nossasexperiências e saberes no processo de decodificação que podem ser estimulados pelas “pistas de leitura”.
Há um grande repertório de portadores de texto em nossos dias e diversos deles são de fácil acesso público como jornais, revistas e mesmo livros, que podem se encontrados em bibliotecas públicas e escolas.
No entanto, a habilidade de compreender um texto e interpretá-lo vem ainda representando umadificuldade para um grande número de crianças.
Muitos educadores acreditam que crianças que convivem com um meio letrado, sendo estimuladas a ler, possuem maiores e melhores condições de desenvolver sua criticidade em seu entorno social.
Contudo, numa sociedade onde estão presentes a injustiça, a desigualdade, a miséria e a fome não é difícil encontrar pessoas que não têm acesso à informaçãosistematizada, aos diversos conhecimentos produzidos preferencialmente no interior das escolas. Se questionados os educadores dirão que atualmente é dever da escola promover a democratização da leitura. Entretanto faz-se necessário analisar como vem ocorrendo a circulação dos textos no ambiente escolar e a produção de sentido sobre os mesmos. Observa-se certa rigidez e controle sobre o ato de leiturae interpretação dos textos na escola.
A escola, que se pretende democrática, na verdade, também exclui, pois mesmo os alunos que têm acesso a ela sofrem, muitas vezes, um tipo velado de exclusão. Isso porque a inscrição do sujeito leitor se faz controlada e dirigida. Ele é instado a confessar aos outros a sua leitura e a corrigi-la na direção do consenso. Dessa forma, pode-se observar um controledo imaginário que se faz continuamente em nome da aquisição do conhecimento. Daí resulta um conhecimento construído sem imaginação e sem investimento pessoal do leitor. (PAULINO, WALTY, FONSECA, CURY; 2001, pág: 27).
A citação anterior respalda a percepção de uma cultura “velada” de exclusão, onde a prática de leitura, da linguagem oral e gráfica são pensadas, trabalhadas e avaliadas a partirde elementos controladores que ferem o significado das mesmas, enquanto manifestações de livre expressão dos sujeitos. Historicamente convivemos nos espaços escolares, com sinais bem marcados que denunciam o ciclo da exclusão: inicialmente, a exclusão se dava logo na entrada, não havia acesso à escola para todos. Depois a evasão seguida da retenção passaram a corporificar a exclusão.
Segundo...
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