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Galvez o imperador do Acre
SUBVERSÃO, RECORTE E COLAGEM: UMA LEITURA DE GALVEZ O IMPERADOR DO ACRE DE MÁRCIO SOUZA[1]

Thais do Socorro Pereira Pompeu[2]

RESUMO:


O presente artigo se propõe em fazer um estudo do romance Galvez o Imperador do Acre de Márcio Souza sobre o prisma das teorias de pastiche e paródia que atuam como ferramentas criticas de apropriação do discurso da tradição.Tenta-se demonstrar o caráter subversivo que o enredo do romance engendra no que tange a representação de Amazônia a que estamos habituados. Procura também demonstrar o caráter neopicaresco do protagonista da narrativa assim como o seu dialogo com textos da literatura brasileira, portuguesa e espanhola.


Palavras-chave: Literatura, Literatura da Amazônia; Paródia e pastiche.ABSTRACT:

This article aims to make a study of the novel Galvez Imperador do Acre of Márcio Souza on the prism of the theories of pastiche and parody that act as tools of critical appropriation of the tradition. Attempts to demonstrate the subversive that the plot of the novel engenders when it comes to representation of the Amazon that are used to. It also seeks to demonstrate the characterneopicaresco the protagonist of the narrative as well as its dialogue with texts of Brazilian literature, Portuguese and Spanish.

Key-words: Literature, Literature of the Amazon, parody and pastiche.









INTRODUÇÃO

Atualmente os estudos literários têm seguindo uma tendência de estudar a memória coletiva de um povo, na verdade muito mais que recorrer aos documentos históricos,ocupa-se em reviver o discurso tradicional com nuances nunca antes desenhadas.


Nesse contexto, o romance Galvez Imperador do Acre apresenta-se em um caráter de subversão que visa reconstruir a nossa história oficial.


O processo criativo do autor organiza-se como um mosaico ficcional e fios de história e memória nacional. A história em todo o enredo do romance surge como um fiopequeno e frágil que sobre ele armou-se uma narrativa palpitante de um protagonista tipicamente espanhol. A capacidade de articular personagens históricas em narrativas ficcionais faz de Márcio Souza um autor interessante e que às vezes ri mesmo ao enganar por diversas vezes os desavisados leitores bem ao gosto de Machado, de Assis e seu enigmático Memórias Póstumas de Brás Cubas[3].Sua produção literária ainda carrega um dos pilares teóricos do modernismo de 22, pois mesmo sendo uma obra produzida no século XX, esta guarda a mesma intenção de deglutir o discurso da tradição histórica.


Tende-se assim a descer a tradição de seu lugar áureo e intocável, a ferramenta utilizada para esse fim foi a Paródia e também o Pastiche.


Tais recursos permitem umaapropriação de um discurso cristalizado em nossa memória, dessa maneira promove-se uma nítida diferença entre os textos do presente e do passado. Os horizontes de interpretação são ampliados e a obra atual não se resume em uma repetição grosseira, mas em algo novo e determinantemente original.


No que tange o texto em analise poderíamos afirmar que este utiliza a técnica do pastiche assimcomo a paródia para a sua formulação o próprio Protagonista nos dá pistas sobre isso ao afirmar:


Os leitores que me perdoem, mas furtei o passado da atividade das memórias e da seriedade das autobiografias. Devolvo minhas aventuras como elas sempre foram: um pastiche da literatura em série, tão subsidiária e tão preenchedora do mundo. Repartir minhas sensações nestescapítulos e entrego meus passos ao rodapé imaginário de um jornal[4].






Segundo Silviano Santiago o momento de criação atual passa por um estágio além da técnica parodística de ruptura com a tradição, bem ao contrário o Pastiche não nega esse passado na verdade existe uma permanência do discurso da tradição no modernismo com outras cores e efeitos.


Nesse sentido elucida:...
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