Lapidar palavras...descobri poetas

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  • Publicado : 7 de junho de 2012
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Lapidar palavras...Descobrir poetas

Ensinar leitura e escrita na perspectiva de gêneros requer estudos, pesquisa e, sobretudo, conhecimento do gênero, para que se possa apropriar do assunto e traçar caminhos para que o aluno tenha facilidade em superar os desafios que a escrita impõe e dominá-la com propriedade.
Pensando assim, ministrei as oficinas do fascículo Poemas na turma de 5ª sérieano passado. Familiarizei-me com a proposta e este ano pude traçar estratégias que possibilitaram maior rendimento em meu trabalho, propiciando aos alunos, o prazer de brincar com as palavras, aprender e conquistar o conhecimento.
Como nem tudo são flores, tivemos momentos de cansaço, desânimo. A escola entrou em reforma, salas de aula foram improvisadas na quadra esportiva e a falta de merendaescolar reduziu o horário das aulas. Estou grávida e sinto seus sintomas: enjôos, indisposição.... Mesmo com tantos atropelos não desisti. Afinal persistência faz parte de mim.
Escolhi, para começar os trabalhos, o poema de Casimiro de Abreu “Meus oito anos”. A idade pueril dos meus alunos não encontrara reflexo maior nas palavras de outro poeta.
“Ah! Que saudades que tenho
Da aurora da minhavida
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais”
Como fazer poesia sem ser embriagado pelos sonhos, pela sensibilidade e pureza das crianças? Pensei na pureza das respostas das crianças e descobri que a poesia estava ali, no semblante de cada pequenino, mas não seria fácil desvendá-la. Era preciso diferenciar poema de poesia. Para isso, após a sondagem inicial, resolvi ler para osalunos “Cantador (de sentimentos escondidos)”, de Antonio Gil, publicado no fascículo de poemas/2008. Quando comecei a leitura era como se aquele cantador (para mim, um encantador) estivesse ali, contagiando a todos com suas palavras de encantamento, e com facilidade aprenderam a distinguir poema de poesia. Mas aquele entusiasmo todo, escondia o caminho das pedras.
Para trilhá-lo, procurei aliados.Um deles foi o livro didático, grande parceiro quando precisei apresentar uma variedade de poemas à classe e reforçar os conteúdos trabalhados: o sentido das palavras, ampliar vocabulário, identificar versos, estrofes, rimas. Foi assim que aprenderam que poema não tem uma forma só: tem forma de passarinho, de chuva, de onda. Descobriram a doçura de ouvir as repetições, os sons, de se embalar noritmo das palavras. Descobriram, também, que poema não é notícia de jornal, não é conto. E que a poesia “tem tudo a ver com tudo”.
Pedi para que na aula seguinte levassem poemas guardados pelos pais, avós, ou mesmo retirados de livros. Entrou em cena o mural, preparado pela coordenadora da escola, outra grande parceira. Até aquele momento em branco, solitário, depois envolvido pelo colorido dospoemas levados pelos alunos. Nessa aula fomos visitados pela equipe da TV Futura. Meus alunos e eu, embora envaidecidos com a possibilidade de aparecer na televisão, estávamos nervosos.
Iniciamos a aula. Eles liam os poemas, baixinho, quase inaudíveis, envergonhados. Eu reforçava em um tom de voz mais alto e ia fazendo perguntas. Eles contribuíam dando opiniões, lendo. Fomos desbravando as trilhasdo poema “Tem tudo a ver”, percebendo que palavras simples podem ser recheadas de sentidos, de melodia, de expressividade.
Produzir o primeiro texto não foi fácil. Apresentei a situação de comunicação: escreverpoema para alunos de 4ª série, com o tema proposto pela olimpíada. O resultado foram estrofes sem ritmo, sem metáforas, com muitos – ãos e -inhos para dar rimas. Alguns apresentaram narrativas em prosa. Outras diziam “professora eu não sei fazer poema”. Vi alunos com grandes facilidades, outros em crise com o papel em branco a sua frente. Seria tão difícil assim? Diagnóstico feito era hora de...
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