Lógica do consumo, identidade e escola

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 18 (4480 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 9 de maio de 2011
Ler documento completo
Amostra do texto
Lógica do Consumo Identidade e Escola

Introdução O título do tema resume bem os elementos a serem desenvolvidos. Este trabalho objetiva estudar a relação entre a lógica do consumo, característica marcante da sociedade atual, e o conceito de identidade, bem como o desenvolvimento de questões relacionadas no âmbito educacional, especialmente o escolar. As mudanças da sociedade humana em geralnos últimos anos têm trazido a tona novos paradigmas, comportamentos, valores e conceitos em todas as áreas da vivência humana. O próprio conceito de uma “sociedade humana em geral” inclui o advento da globalização, que permitiu que mudanças se espalhassem por boa parte da humanidade ao mesmo tempo e em um mesmo sentido de atuação. Certamente o ponto central dessa mudança é o papel do modo deprodução, o capitalismo, em sua versão mais moderna, que define em muitos sentidos a vida humana. Das tecnologias, regras de convivência e meios de comunicação a parâmetros subjetivos como “felicidade” e “gosto”, a lógica social é definida, em grande extensão, pelo ato de comprar – é a sociedade de consumo. Numa análise histórica, podemos identificar alteração de vários objetos de análise em relação aesse ponto de vista, como a noção de identidade, o papel da criança na sociedade, os conceitos de felicidade, o papel da mídia na educação e no exercício da cidadania etc. Essas mudanças citadas devem ser estudadas na busca pela compreensão de suas bases e na caracterização de que efeitos elas produzem e virão a produzir no indivíduo e na sociedade como um todo.

Desenvolvimento Os jovens daatualidade enxergam o mundo em que vivem com naturalidade, sem se espantarem com novos desenvolvimentos científicos e mudanças constantes. São perfeitamente identificados com a mídia em todos os seus aspectos, a cultura das massas e as mais diversas tecnologias, e não sabemos qual o impacto dessas tantas mudanças na percepção e na construção da identidade das crianças e adolescentes deste novoséculo[1]. Dentre as rupturas de padrões de percepção tradicionais historicamente, a mais evidente é a cultura do consumo. Esta se sobrepôs a centralidade da produção, incentivou uma nunca antes vista diversificação de bens e meios de consumo (inclusive imateriais) e alterou a nossa compreensão da realidade. Passamos a

identificar nos objetos consumidos símbolos que manifestam valores subjetivos emrelação ao sujeito que os consome, enquanto antes esses valores eram identificados pela posição do indivíduo na estrutura ocupacional da sociedade. Hoje, essa posição é apenas o meio de atingir o consumo e, a partir deste, definir quem é quem. Estes novos valores, portanto, se contrapõe aos que até então norteavam a nossa compreensão do mundo[2]. Apesar de analisarmos os efeitos desse carátersimbólico dos bens na sociedade de consumo, é importante notar que não é só no capitalismo, mas em todas as civilizações e culturas, os bens têm um valor que ultrapassa o de prática, e agregam um significado social[3]. Ainda nesse sentido, analisando as crianças e suas respostas frente a questionamentos, percebemos que elas reproduzem essa lógica. Mesmo que, devido ao seu papel na sociedade (o que serádiscutido mais à frente), eles não sejam uma força de trabalho, elas também não se definem pelo que fazem, o que seria natural e foi dominante em épocas anteriores. Na cultura do desejo e consumo, elas se definem muito mais pelo que gostam. Podem gostar ou não do que fazem, mas o que realmente as identifica é o que gosta(ria)m de fazer. Não são mais as ações, mas os desejos e os objetos consumidosque delineiam o que é próprio, característico a cada indivíduo, cada grupo, cada classe[4]. Por esse motivo, a humanidade se vê num paradoxo do consumo: o que a pessoa consome define quem ela é, ou o que a pessoa é define o que ela consome? Vemos que a resposta não é simples, envolve inúmeros fatores, e chega a propor uma antítese do Humanismo – questiona se realmente o homem tem uma essência...
tracking img