Kosik

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KOSIK, Karel. Dialética do Concreto. 6. Ed. Trad. NEVES, Célia; TORÍBIO, Aldenco. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 2.010.

RESENHA

Karel Kosik, autor do livro a “Dialética do concreto” é de origem tcheca. Nasceu em Praga no ano de 1926 e, ao longo de sua vida, participou como membro do Partido Comunista Tcheco, no qual atuou na resistência clandestina e em diferentes frentes em busca dosocialismo humanista. Faleceu em 11 de fevereiro de 2003. Uma de suas principais obras é “Dialética do Concreto”, livro publicado em 1963.
Na primeira parte do seu livro, que está subdividida em três capítulos, o autor apresenta uma consistente fala filosófica marxista, que se propõe à análise do materialismo dialético, retomando um problema fundamental que busca compreender o que é propriamente,no marxismo, a práxis.
Inicia o primeiro capítulo “O Mundo da Pseudoconcreticidade e a sua Destruição”, falando da importância da dialética na discussão da práxis do sujeito. Segundo ele, a dialética trata da “coisa em si”. Mas, a “coisa em si” não se manifesta imediatamente no homem, sendo necessário certo esforço para chegar à sua compreensão (p. 13).
Neste sentido, são as correntesidealísticas que absolutizam ora o sujeito, ora o objeto, na destruição materialista da pseudoconcreticidade, que se cria a união dialética entre sujeito e objeto.
Segundo Kosik, para compreendermos esta dialética, faz-se necessário propor antecipadamente a decomposição do todo na ação e no conhecimento filosófico, decorrendo, neste sentido, uma separação do que seja essencial e secundário nestefenômeno. Apesar do fenômeno mostrar-se como um todo, isto não ocorre de forma imediata, mas como uma visão de mundo das aparências. Este mundo das aparências que parece nos mostrar o todo, não reconhece a essência verdadeira. Por isso, o autor fala na pseudoconcreticidade, ou seja, um mundo de aparências enganadoras, de preconceitos, de uma práxis fetichizada.
Assim, para que o homem não se perca emface dos múltiplos aspectos fenomênicos da realidade que a autêntica práxis vai desvendando, o conhecimento humano precisa discernir no real, a cada passo, a unidade dialética da essência e do fenômeno. Por isso, Kosik insiste no caráter necessariamente totalizante do conhecimento.
Neste caso, o autor afirma que para conhecer a realidade social, o homem precisa ter consciência de si mesmo comoprodutor desta realidade. Para isso, Kosik assinalou muito bem a diferença entre dois aspectos da realidade concreta, ou seja, para ele, a diferença entre a realidade natural e a realidade humano-social está em que o homem pode mudar e transformar a natureza; enquanto pode mudar de modo revolucionário a realidade humano-social porque ele próprio é o produtor desta última realidade.
Este pensamentoreforça o tema do segundo capítulo “Reprodução espiritual e racional da realidade”, onde o autor fala que o grau de conhecimento é relativo à construção histórica do sujeito e influenciado por múltiplas relações sociais e com a própria construção do conhecimento, pois “o homem só conhece a realidade na medida em que ele cria a realidade humana e se comporta antes de tudo como ser prático” (p. 28).Por sua vez, o mundo humano-social é a parcela do mundo natural que sofreu significativas modificações em virtude da atividade humana, perdendo, com isso, grande parte de suas características originais.
Nesta perspectiva de teoria materialista do conhecimento, é necessário utilizar-se a consciência de maneira dialética visto que, “a consciência humana é reflexo e projeção, registra e constrói, tomanota e planeja, reflete e antecipa, é ao mesmo tempo receptiva e ativa” (p. 32-33). Por isso, é importante ter uma visão dialética de mundo, considerada não-reduzida ou ampliada. É a partir do conhecimento velho que se tem a possibilidade de alcançar tal visão e atingir um conhecimento novo, onde a história é o ponto de partida para atingir este conhecimento, para se alcançar à totalidade...
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