Kall mannheim

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XIII CONGRESSO BRASILEIRO DE SOCIOLOGIA 29 de maio a 1 de junho de 2007, UFPE, Recife (PE) GT26: SOCIOLOGIA DA INFÂNCIA E JUVENTUDE

Karl Mannheim: Um Pioneiro Da Sociologia Da Juventude
Wivian Weller1 Universidade de Brasília, UnB wivian@unb.br Notas introdutórias Embora o nome de Karl Mannheim esteja fortemente associado à Sociologia do Conhecimento, também podemos considerá-lo um pioneiroda Sociologia da Juventude. Em seu primeiro trabalho sobre o tema o autor desenvolve o conceito de gerações, destacando que a posição comum daqueles nascidos em um mesmo tempo cronológico não está dada pela possibilidade de presenciarem os mesmos acontecimentos ou vivenciarem experiências semelhantes, mas, sobretudo, de processarem esses acontecimentos ou experiências de forma semelhante. Outracontribuição relevante para a Sociologia da Juventude diz respeito aos estudos realizados no período de exílio na Inglaterra 2 . O presente trabalho apresenta as contribuições do autor e destaca sua atualidade e pertinência para os estudos sobre as juventudes contemporâneas em suas distintas interfaces de gênero, classe, raça/etnia, dentre outras. Para tanto, iniciaremos com uma breve discussão sobresua obra e respectivas publicações. Algumas considerações sobre os escritos de Karl Mannheim De acordo com Bohnsack (1999), os escritos de Karl Mannheim podem ser divididos em três fases, que não estão apenas relacionadas aos distintos contextos geográficos ou países em que o autor viveu, mas que apresentam produções diferentes. Na Hungria, Mannheim dedicou-se principalmente a temas literários efilosóficos. O período em que viveu na Alemanha (1920 a 1933) corresponde à fase sociológica-filosófica, abrangendo trabalhos conhecidos como O problema das gerações (1928) ou Ideologia e Utopia (1929), assim como outros trabalhos que Mannheim nunca publicou e que só chegaram ao conhecimento do público na década de 1980, com a organização do livro Strukturen des Denkens (Structures of Thinking).Já na Grã-Bretanha, Mannheim se dedicou a análises

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Doutora em Sociologia pela Universidade Livre de Berlim (2002). Professora adjunta da Faculdade de Educação e credenciada junto aos Programas de Pós-Graduação em Sociologia e Educação da Universidade de Brasília. Bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq e coordenadora do grupo de pesquisa em Educação e Políticas Públicas: Gênero,Raça/Etnia e Juventude – GERAJU. Para maiores detalhes sobre a biografia de Karl Mannheim cf. Weller, 2005; Boas, 2004.

2 político-pedagógicas relativas a temas emergentes naquela época, fruto de seu trabalho na área de Educação na London School of Economics and Political Science e de suas reflexões sobre a guerra e os desafios futuros3. Grande parte dos trabalhos relativos a esse período forampublicados postumamente, e, em alguns casos, os compilatores dos manuscritos se colocaram inclusive como co-autores de Mannheim 4 . Portanto, as leituras e críticas dos textos de Mannheim devem contemplar as distintas fases e contextos da produção do autor, observando-se o período em que determinado trabalho foi escrito e não apenas a data de sua publicação ou tradução. Ao mesmo tempo não sabemosse os escritos publicados postumamente teriam sido editados da forma como o foram se Mannheim estivesse vivo. Na introdução do livro Liberdade, poder e planificação democrática, publicado na Inglaterra em 1951, Adolph Löwe escreve o seguinte: “Se o autor tivesse vivido mais algum tempo, é provável que teria alterado e suplementado o texto em vários sentidos” (1972, p. 7).

O problema dasgerações na perspectiva de Karl Mannheim Embora o conceito de gerações de Karl Mannheim represente, para muitos, a mais completa tentativa de explicação do tema (DOMINGUES, 2002, p. 69), o mesmo tem sido muitas vezes citado por se tratar de um “clássico”. Schäffer (2003, p. 56) critica ainda o recorte realizado por alguns autores que se apropriam de algumas partes do artigo – sobretudo a subdivisão...
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