Kal marx

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  • Publicado : 16 de setembro de 2012
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RESUMO
Considerando o consumo como o conjunto de processos socioculturais nos quais se realizam a apropriação e os usos dos produtos, este artigo tem por proposta uma análise histórica das principais teorizações sobre esta temática, com destaque às análises que se preocuparam com efeitos de subjetivação advindos da "sociedade de consumo". Apresenta e analisa as primeiras contribuições para estadiscussão em Marx e em alguns autores da Escola de Frankfurt; discute os desenvolvimentos teóricos que buscam na Semiologia um apoio para a compreensão do comportamento consumista e finaliza com a apresentação e análise de algumas teorizações que tomaram a temática no contexto da globalização. O artigo conclui destacando a importância da continuidade dos estudos sobre a temática, que considerem assuas múltiplas facetas - econômicas, políticas, históricas, sociais, culturais e psicológicas - e que relevem, no exame empírico, a concreticidade de espaços sociais específicos.
Palavras-chave: Consumo, Subjetividade, Cultura, Globalização.




O estudo do consumo – aqui entendido como "o conjunto de processos socioculturais nos quais se realizam a apropriação e os usos dos produtos"(Canclini, 1999, p. 77) – , da cultura de consumo e até da sociedade de consumo só se tornou uma área conceitual de importância para as ciências sociais e humanas recentemente. As profundas transformações a que assistimos nos últimos anos – as transações de mercado operadas pelas grandes corporações, as novas características de "acumulação flexível do capital" (Harvey, 1994), os meios decomunicação de massa, a propaganda subliminar a nos convencer a incorporar novos conceitos sobre as nossas necessidades, mas também as propensões sociais e psicológicas, como o individualismo e o impulso de realização pessoal por meio da auto-expressão, a busca de segurança e identificações coletivas - todas estas questões, tão presentes no cotidiano global, levaram a que disciplinas sociais e humanaspassassem a se debruçar sobre os modos de consumo e estilos de vida de maneira mais intensa, retirando a questão de um certo sub-mundo acadêmico.
No entanto, mesmo que de forma secundária e marginal, o consumo tem sido motivo de análises pelo menos desde o século XIX, e o consumismo, em especial nos países ricos, constituiu-se em alvo de críticas mais intensas e freqüentes, desde os anos 60 do séculoque acaba de findar. Este texto propõe-se exatamente a retomar algumas destas teorizações sobre a temática, finalizando, no entanto, com a análise do comportamento consumista no contexto global.

As primeiras análises: a teoria crítica sobre o consumo

Marx é a referência clássica para este percurso que nos propomos. Viveu no início da sociedade industrial e já apontava algumas de suasprincipais características. Sua teoria sobre o consumo permite-nos desenvolver dois conceitos, recorrentes em outros autores que lhe seguiram: a alienação e a opressão. Estes dois conceitos são inicialmente desenvolvidos na sua teoria sobre o fetichismo da mercadoria que poderíamos assim sintetizar: a mercadoria é uma ilusão sobre o produto, forjada pelo capitalismo.
Conforme sua análise, é a necessidadeque leva o homem a modificar os elementos naturais, atribuindo-lhes novas formas. No estágio cultural mais simples, o homem cria o produto, como o resultado direto do dispêndio de sua força de trabalho. Num estágio cultural mais complexo, no entanto, ele cria a mercadoria, misteriosa em sua origem e atiçadora do desejo humano. A forma social do trabalho, o modo como os homens trabalham uns paraos outros é o que dá origem ao mistério e forma à mercadoria. Sinteticamente, a exposição marxiana é a seguinte: primeiro, o valor é determinado pelo dispêndio de força humana de trabalho e de quantidade de trabalho - ambos realizados individualmente -; segundo, como os homens trabalham uns para os outros, cria-se uma relação social do trabalho; terceiro, essa relação é, então, disfarçada numa...
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