Jung e a literalização

Páginas: 12 (2975 palavras) Publicado: 12 de outubro de 2011
JUNG E A LITERALIZAÇÃO
DO ARQUÉTIPO DA CRIANÇA Palestra apresentada no evento da Rubedo “A Criança e o Adolescente: perspectivas junguianas”, no Rio de Janeiro - setembro de 2006. |
Hoje estamos aqui para falar sobre o atendimento de crianças e adolescentes segundo a visão junguiana. Trata-se de um tema pouco difundido, apesar de vários analistas junguianos trabalharem com esse tipo declientela. E por quê?Parece que alguns temas estão “pré”-associados a Jung e à sua teoria; ao ser mencionado o nome de Jung em qualquer conferência ou ciclo de palestras, parece ser sempre esperado que surjam temas, primeiramente, como símbolos, mitologia, religião, contos de fada, arquétipos, inconsciente coletivo, fantasias, visão holística da personalidade, processo de individuação, análise de sonhos,imaginação ativa, alquimia, técnicas de expressão não-verbais; quando o enfoque recai no trabalho clínico junguiano, o que se espera é que se fale sobre o atendimento de pacientes da chamada “segunda metade da vida”, o que sugere o tratamento de adultos e de indivíduos, no máximo, da “terceira idade”, ou seja, àqueles que estão em busca do significado de suas vidas.E por quê não pertenceria ao“imaginário” junguiano o trabalho com crianças e com adolescentes? Por quê essa clínica é tão menos divulgada? Como tentativa de responder a essas perguntas, vou formular hipóteses, um tanto complementárias, sendo que irei tratar da última mais detidamente, tal como aponta o título da palestra. Em primeiro lugar, parece que ficou estabelecida uma certa confusão entre os termos “análise da infância” e“análise da criança”. Acredito que o próprio Jung tenha sido o primeiro a não deixar clara a diferença entre eles quando, por exemplo, questiona a importância da infância para Freud e, conseqüentemente, para a psicanálise, principalmente sobre seus “achados” teóricos sobre a sexualidade infantil e suas conseqüências para a vida dos indivíduos adultos. Em alguns de seus textos, como os que se referemaos dois tipos de métodos utilizados em análise, ou seja, o redutivo e o sintético, Jung muitas vezes parece deixar a cargo da psicanálise a “análise da infância”, com seus conteúdos pessoais, com suas repressões, censuras, atuações, sendo que o método mais “junguiano”, ou o sintético-construtivo, estaria mais voltado para outras confrontações com o inconsciente, no sentido de realização doprocesso de individuação.Também as referências sobre infância e criança ficam misturadas em outras passagens de sua obra. Em seu texto As Etapas da Vida Humana, de 1930, ele diferencia 4 estágios do desenvolvimento psíquico humano, a saber:1) Infância: Nas palavras de Jung: No estágio infantil da consciência, ainda não há problemas, nada depende do sujeito, porque a própria criança ainda dependeinteiramente dos pais. É como se ainda não tivesse nascido inteiramente, mas se achasse mergulhada na atmosfera dos pais. O nascimento psíquico e, com ele, a diferenciação consciente em relação aos pais só ocorre na puberdade, com a irrupção da sexualidade. A mudança fisiológica é acompanhada também de uma revolução espiritual. Isto é, as várias manifestações corporais acentuam de tal maneira o eu, queeste freqüentemente se impõe desmedidamente... Até este período, a vida psicológica do indivíduo é governada basicamente pelos instintos e por isto não conhece nenhum problema. Mesmo quando limitações externas se contrapõem aos impulsos subjetivos, estas restrições não provocam uma cisão interior do próprio indivíduo. Este se submete ou as evita, em total harmonia consigo próprio. Ele não conhece oestado de divisão interior, induzido pelos problemas.2) Juventude: Tal fase tem como característica “o despedaçar dos sonhos da infância”. Segundo o Dicionário Junguiano de Paolo Francesco Pieri, “essa fase caracteriza-se pelo completamento da formação do Eu e, portanto, pela diferenciação entre si próprio e o mundo circundante (tanto interno como externo), motivo pelo qual se assiste à...
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