Jornalismo

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  • Publicado : 20 de março de 2012
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Ler os jornais e buscar enxergar além da notícia é um exercício que deveria ser praticado, diariamente, por todos os profissionais de comunicação, em especial os jornalistas e os gestores da comunicação nas organizações. Assumir esta postura crítica significa extrapolar o limite em que se insere o cidadão comum, impossibilitado de perceber nitidamente o que se passa à sua volta. Há a leituracomo entretenimento (qual a escalação do meu time no jogo de hoje , quais são os filmes em lançamento ou mesmo o que diz o meu horóscopo?) e a leitura por motivação profissional (o que está nas entrelinhas da proposta do governo, o que na verdade estão defendendo os empresários e por aí vai).
Fiz este exercício nos jornais de terça-feira, dia 4 de novembro de 2008, e resolvi registrar aqui.Evidentemente, para quem lê vários jornais, como é o caso, há um punhado de notícias que chamam a atenção e isso é normal porque cada um de nós tem vários interesses que vão do esporte à economia, da política à ciência e tecnologia. Mas posso citar 3 que me convidaram para uma reflexão.
A primeira delas, mais ou menos óbvia, é a da fusão entre o Itaú e o Unibanco, dois gigantes do mercadofinanceiro nacional. Com certeza, a maioria dos jornais destacou o que foi proclamado na coletiva (como era de se esperar, um grande oba-oba) que anunciou o fato: o surgimento, pela fusão, do maior banco do Brasil e da América Latina, com ativos de quase 600 bilhões de reais, numa exaltação ao nacionalismo caboclo. Somos os maiores, estamos longe da crise. Paralelamente, ressaltou-se a adesão dogoverno, mais preocupado no momento em ver afastada a crise do que em outras questões também muito importantes. De que se falou pouco ou o que passou batido na cobertura dos jornais? Ora, o que significa esta concentração abusiva no sistema financeiro, como fica a situação do consumidor, já que, por uma regra do mercado, quando há menos "players" , a tendência é sobrar para o lombo de todos nós.Não é isso a que estamos assistindo no caso do duopólio que caracteriza o segmento da aviação nacional? Será que o Governo não percebeu que a TAM e a Gol (agora também Varig) subiram os preços exageradamente em algumas rotas e estão dividindo o mercado para atenuar a concorrência (você fica com Ribeirão Preto que eu fico com Londrina e assim por diante). Pois é, a imprensa com sua visãooficialesca ouviu os banqueiros, ouviu o ministro da Fazenda e saiu batendo palmas. Por que não aproveitou o gancho para discutir o aumento do preço dos serviços bancários? Por que não disse (calma, o jornal O Globo não deixou de dizer) que o Unibanco, na véspera do anúncio da fusão, aumentou todas as suas tarifas em 6%? Por que não insistiu na tese de que agora os cinco maiores bancos detêm 72% dosativos do mercado? Isso é bom? Ora, logo que não é, toda tendência à concentração é ruim, como a gente pode ver no monopólio das sementes (um escândalo no caso das transgênicas), na indústria agroquímica, farmacêutica etc.
A imprensa gosta de seguir o rei e por isso tem se mantido súdita, com raras exceções. Se é assim, palmas para o Itaú e para o Unibanco, que talvez agora queira parecerbanco.
A outra noticia que mereceu a atenção dizia respeito ao aumento da utilização de medicamentos para crianças, uma nota importante da página de Saúde da Folha de S. Paulo (puxa, até agora só aplausos para esta iniciativa do jornal do Frias). Isso mesmo: tem crescido significativamente o uso de drogas para hipertensão, diabetes, colesterol alto, asma, transtorno de déficit de atenção ehiperatividade, e depressão por crianças, com ou sem prescrição médica, porque por aqui se compra remédio como se compra doce, já que não há controle algum e existem mais farmácias do que padarias (mais de 50 mil, se me lembro bem das estatísticas), às vezes duas ou três no mesmo quarteirão.
Puxa, mas isso é terrível! Por que esse excesso todo? Ora, você não havia percebido que a indústria...
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