Jornal corporal

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  • Publicado : 23 de março de 2013
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A luz da varanda estava acesa, e Samantha podia ver seus vizinhos passeando com os filhos na rua.
Eram quase 7 da noite e estava uma noite fresca e tranquila no bairro de Santa Cecília. A televisão estava ligada em um som baixo e ela podia ouvir vagamente as notícias matinais: guerras no Oriente Médio, filhos matando pais, catástrofes meteorológicas causadas pelo suposto aquecimento global. Eratudo tão trágico, e ao mesmo tempo tão tedioso. Pareciam que todos os dias eram as mesmas notícias. Ela não estava preocupada com isso agora, ela estava aguardando um telefonema. Talvez o telefonema mais importante de sua vida.
Samantha Costa tinha 26 anos, e já era divorciada. Casou-se muito jovem, e foi morar na Cidade. Seu casamento ruiu devido ao alcoolismo e violência do marido após cincoanos sofridos. Sorte dela que ela não poderia ter filhos, a pensava, tudo poderia ter sido tão pior. Ou será que não? Será que se pudesse ter tido filhos seu casamento poderia ter tido outro final?
Nada disso importava mais. Voltou a morar com a mãe na Vila após o ocorrido. Arranjou um emprego como vendedora de dia e fazia faculdade a noite. Direito. Seu grande sonho de adolescente finalmentesendo realizado, uma merecida recompensa após tantas coisas ruins na vida.
Sua vida já tinha se transformado em rotina, ela acordava as 05h40min da manhã, sua mãe já estava em pé preparando o café (como ela sentiu falta desses mimos), ela se arrumava, colocava o terno da loja (“Suit and Tie – Para Homens Poderosos” estampados no bolso esquerdo do peito), tomava café, dava um beijo na mãe e descia arua pegar o ônibus que passava as 06h50min em ponto. No serviço, que ficava na Galeria da Vila, ela basicamente vendia ternos e gravatas para as esposas (geralmente idosas e/ou religiosas) que passavam por ali e/ou levavam seus desinteressados maridos para prová-los. Era uma loja pequena e simples, tinha apenas cinco vendedoras, mas era sofisticada, Sam gostava de trabalhar lá. As 18h ela saía doserviço, pegava o ônibus as 18h05min e chegava à Universidade da Cidade as 19h pontualmente.
Não tinha muitos colegas, ela era bem mais velha que boa parte da turma, e a única pessoa que andava efetivamente com ela era a extrovertida e popular Polyana Riddle. Samantha não entendia bem o motivo de Polly gostar de andar com ela, Polly era cinco anos mais nova, muito mais bonita e inteligente.Conhecia a todos e toda a turma simplesmente a adorava, mas desde que Samantha se matriculou na turma, Polly quis se aproximar ao máximo, e se tornou uma boa amiga. Polly achava que as más experiências de Sam a tinham transformado em uma pessoa mais sábia e independente, e era o que ela queria ser ainda. Polly tinha ambições políticas, sonhava em ser Presidente, mas um tipo diferente de Presidente,uma defensora da justiça, quando ela contava soava como uma criança que sonha em ser um super-herói. Samantha achava isso engraçado e fofo.
Talvez fosse uma rotina cansativa, chegava tarde da noite em casa, dormia pouco e não ganhava tão bem. Mas estava razoavelmente satisfeita. Não lhe faltava nada, tinha o amor de sua mãe, amigos no trabalho, na faculdade tinha Polly e a busca por um futuro comoconhecedora da lei e isso a alegrava. Mas nem tudo estava bem ultimamente.
Algo estava errado com sua saúde, há alguns dias ela desmaiou no serviço e durante uma das aulas no dia seguinte, sentia fortes dores de cabeça e enjoos constantes, estava tendo sonhos esquisitos em que alguém a observava de longe, e as vezes ela estava voando olhando seu próprio corpo de cima pegando fogo, eespecialmente isso a estava preocupando bastante. Hoje mais cedo vomitou em cima da sessão de meias e seu chefe a disse para ir à clínica da Cidade que ela tinha convênio. A médica fez vários exames e disse que só teria o resultado no dia seguinte, mas a ansiedade de Samantha a fez prometer que ela iria ligar de noite dizendo o que era o problema, e que ela não devia se preocupar, talvez só fosse stress e...
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