Jorge amado

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  • Publicado : 20 de junho de 2011
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Introdução
Gabriela, cravo e canela inaugura uma nova fase na obra de Jorge Amado. A partir deste romance, o autor atenua o conteúdo político que marcou seus primeiros livros para dar ênfase à mistura racial, ao erotismo e a uma percepção sensorial do mundo. Ganham destaque as personagens femininas: as mulheres passam ao centro das narrativas como mito sexual, mas também como agentes do própriodesejo.
Gabriela, cravo e canela foi o primeiro livro escrito por Jorge Amado depois de deixar o Partido Comunista. Publicado em 1958, o romance recebeu no ano seguinte os prêmios Machado de Assis e Jabuti. Pouco depois, em 1961, Jorge Amado seria eleito para a Academia Brasileira de Letras, em grande parte graças ao estrondoso sucesso do livro. Gabriela virou novela da TV Tupi, em 1961, e maistarde da rede Globo, em 1975. Traduzido para vários idiomas, Gabriela, cravo e canela é o livro de Jorge Amado com o maior número de traduções.
Mostraremos a seguir um pouco mais sobre esse escritor bárbaro, Jorge Amado, e sua grande obra: Gabriela Cravo e Canela, contaremos o resumo da obra e falaremos sobre os personagens e a apresentação da mesma.

1. AUTOR
JORGE AMADO

Jorge Amadonasceu em 10 de agosto de 1912, na fazenda Auricídia, em Ferradas, distrito de Itabuna, filho de João Amado de Faria e Eulália Leal. O pai havia migrado de Sergipe para se tornar fazendeiro de cacau na Bahia. Além de Jorge, o primeiro filho, o casal teve Jofre, que morreu aos três anos, Joelson e James. Antes que o primogênito completasse dois anos, a família mudou-se para Ilhéus, fugindo de umaepidemia de varíola (a “bexiga negra”).
No litoral sul da Bahia, a “nação grapiúna”, o menino Jorge Amado ganhou intimidade com o mar, elemento fundamental de seus livros, e viveu algumas de suas experiências mais marcantes. Cresceu em meio a lutas políticas, disputas pela terra e brigas de jagunços e pistoleiros. Seu pai foi baleado em uma tocaia. Em companhia do caboclo Argemiro, que nos dias defeira o colocava na sela e o levava a Pirangi, o menino conheceu as casas de mulheres e as rodas de jogo.
A região cacaueira seria um dos cenários preferidos do autor, atravessando toda sua carreira literária, em livros como Terras do sem-fim, São Jorge dos Ilhéus, Gabriela, cravo e canela e Tocaia Grande, nos quais relata as lutas, a crueldade, a exploração, o heroísmo e o drama associados àcultura do cacau que floresceu na região de Ilhéus nas primeiras décadas do século XX.

1.1 Os anos de aprendizado e a descoberta da paixão pelas letras

Jorge Amado tomou contato com as letras através da mãe, que o alfabetizou pela leitura de jornais. Completou os estudos iniciais num internato religioso: com onze anos foi mandado a Salvador para estudar no Colégio Antônio Vieira.
Apesar dasensação de encarceramento e da saudade que sentia da liberdade e do mar de Ilhéus, o menino experimentou ali a paixão pelos livros. Seu professor de português era o padre Luiz Gonzaga Cabral, que lhe emprestou livros de autores como Charles Dickens, Jonathan Swift, José de Alencar e clássicos portugueses. O padre Cabral foi o primeiro a sentenciar que Jorge Amado se tornaria escritor, ao ler umaredação de seu aluno, intitulada “O mar”.
Em 1924, o menino fugiu do internato e passou dois meses percorrendo o sertão baiano. Viajou até Itaporanga, em Sergipe, onde morava seu avô paterno, José Amado. Seu tio Álvaro, uma das figuras mais importantes de sua infância, foi buscá-lo na fazenda do avô. Depois de transferir-se para outro internato, o Ginásio Ipiranga, em 1927 Jorge Amado foi morarem um casarão no Pelourinho, em Salvador. O prédio serviria de inspiração ao seu terceiro romance, Suor, publicado em 1934.
1.2 Estreia como profissional da palavra

Aos catorze anos, Jorge Amado conseguiu seu primeiro emprego: repórter policial no Diário da Bahia. Em seguida, passou a trabalhar em O Imparcial. Nessa época, participava intensamente da vida popular e da boemia de Salvador,...
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