John stuart mill e sociedades da informação

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  • Publicado : 26 de junho de 2012
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John Stuart Mill e sociedades da informação: liberdade de imprensa, Estado e opinião pública

John Stuart Mill defende que o Estado deve interferir o mínimo possível na vida dos cidadãos. A interferência governamental se torna justificável, no contexto societário, unicamente no momento em que a liberdade individual de um integrante do povo acarrete prejuízo pessoal a qualquer outrocointegrante i. No que diz respeito ao indivíduo, em relação à própria conduta, a sua independência é prerrogativa de direito, caráter absoluto que deve ser preservado de qualquer despotismo político. O exercício da liberdade, no conjunto da obra milliana, depende da manutenção de espaços que proporcionem a livre expressão e associação entre os constituintes de toda e qualquer sociedade. Consideremos asperspectivas atuais para o exercício da opinião, como base analítica, no encalço das tecnologias computacionais de comunicação. O salto tecnológico da informática, a partir dos anos 1980, e em grande parte, com o advento da Internet, nos anos 1990, quando aplicado à comunicação, torna praticamente irrestritas as possibilidades de interação de conteúdos informativos. A informação passa a serdestacada como o símbolo de uma época. Para definir o período, surge um conceito teórico relativamente novo e que proporciona intensos debates acadêmicos: a sociedade da informação (GUEDES; PAULA, 1999, p.132). Nela, a estabilidade social se reduziria, em muitos casos, à manutenção do fluxo informativo constante atrelado a diversas áreas do conhecimento. As discussões acadêmicas sobre o tema colocamtecnófobos e tecnófilos em frentes opostas. Muitos autores, afinados com o primeiro grupo, ficam alarmados com essa visão da sociedade da informação, cuja cultura vincula-se cada vez mais aos media, e indicam a possibilidade de perda do sentido das coisas. Além disso, avistam a formação de monopólios na difusão informativa como um cerceamento na autonomia participativa dos indivíduos. Por outro lado,os tecnófilos levantam argumentos otimistas diante do predomínio tecnicista na estruturação da informação. São teóricos que antevêem a ampliação dos espaços para o exercício da opinião e crítica aos costumes estabelecidos a partir das novas tecnologias da informação.

Alinhados aos preceitos de Stuart Mill, concernentes à liberdade e igualdade no exercício da opinião e às condições degovernabilidade democrática, pretendemos discutir o papel dos meios de comunicação massivos na liberdade de indivíduos e governos nas referidas sociedades da informação.

A liberdade para a crítica na sociedade da informação
John Stuart Mill admite que as fronteiras para o ajuste entre a independência individual e o controle social são de difícil determinaçãoii. Questiona o recurso ao regramento comum,movido pelo costume, como apelo universal capaz de justificar a existência histórica sem a necessidade de evocar elementos da razão. Afasta-se, portanto, da visão empirista, cara aos teóricos defensores do direito natural, como David Humeiii, para quem a origem de todo o conhecimento humano reside na experiência e praticamente não há diferença analítica entre esta e a razão. Por seu turno,Stuart Mill considera a necessidade de provação constante às verdades socialmente firmadas. O costume não se constituiria em mecanismo autônomo para a facilidade de compreensão do mundo da vida. Apenas a discussão pública dos pressupostos da prática empírica é capaz de orientar a conduta individual em sociedade. Não existiriam verdades gerais, tornadas incontestáveis pelo costume, a partir deobservações particulares das relações entre causa e efeito nos objetos no mundo da vida comum iv. A superação da condição de provação constante no espectro das opiniões suficientemente expostas à crítica, em determinada época, somente é considerada como possibilidade real em estado de elevado aperfeiçoamento humano. O adiantamento intelectual das conformações societárias é, para Mill, fato passível de...
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