John locke e a fundação do empirismo crítico

Páginas: 38 (9400 palavras) Publicado: 30 de setembro de 2011
John Locke e a fundação do empirismo crítico

1. A vida e as obras de Locke
O empirismo, que em Bacon e em Hobbes constitui um componente essencial, mas entrelaçado com outros componentes e por eles delimitado (em Bacon, é circunscrito predominantemente à temática do experimento científico, ao passo que em Hobbes é fortemente condicionado pela teoria materialista-corporeísta), assume asua primeira formulação paradigmática, metodológica e criticamente consciente na obra de Locke.
John Locke nasceu em Wrington (nas proximidades de Bristol) em 1632 (no mesmo ano em que também nasceu Spinoza).
Estudou na Universidade de Oxford, onde conseguiu o título de Master of Arts em 1658 e onde ensinaria (na qualidade de tutor) grego e retórica e se tornaria censor da filosofiamoral.
Ficou muito descontente com o ensino de filosofia que recebeu em Oxford, que ele julgou "um peripatetismo recheado de palavras obscuras e de inúteis pesquisas".
Esse peripatetismo escolástico nada mais fazia além de se divertir com sutis distinções, multiplicando-as ao inverossímil.
Por isso, é perfeitamente compreensível que ele tenha procurado satisfazer as exigênciasconcretas do seu espírito em outros campos, estudando medicina, anatomia, fisiologia e física (sofreu notáveis influências do físico R. Boyle), além de teologia.
Não conseguiu nenhum título acadêmico em medicina, mas passou a ser chamado de "doutor Locke" pela competência que adquiriu nessa matéria.
Em 1668, foi nomeado membro da prestigiosa Royal Society de Londres, na qual Hobbes não fôraadmitido por causa das polêmicas e das fortes divisões suscitadas por suas teses de fundo.
O ano de 1672 marca reviravolta muito importante na vida de Locke: com efeito, nesse ano ele tornou-se secretário do lorde Ashley Cooper, chanceler da Inglaterra e conde de Shaftesbury, passando a se ocupar ativamente dos negócios políticos.
Entre 1674 e 1689, em conseqüência de suas opções políticas, avida de Locke foi arrastada por uma série vertiginosa de acontecimentos, destinados a deixar marcas indeléveis em seu espírito.
Em 1675, logo depois da queda de lorde Shaftesbury, Locke viajou para a França, onde travou conhecimento com o cartesianismo. De 1679 a 1682, esteve novamente ao lado de lorde Shaftesbury, que havia conseguido reconquistar as posições políticas perdidas.
Mas, em1682, lorde Shaftesbury foi envolvido na conjura do duque de Monmouth contra Carlos II e teve que se refugiar na Holanda, onde morreu.
No ano seguinte, Locke também teve que deixar a Inglaterra para refugiar-se na Holanda, onde trabalhou ativamente nos preparativos para a expedição de Guilherme de Orange.
Em 1689, Guilhermees do regime de monarquia parlamentar, pela qual Locke sempre sehavia batido. E assim, voltando a Londres, ele pôde colher os louros merecidos do sucesso.
Foram-lhe oferecidos cargos e honrarias. Sua fama espalhou-se por toda a Europa.
Entretanto, ele recusou as ofertas que mais exigiam dele para poder se concentrar predominantemente em sua atividade literária.
Em 1691, transferiu-se para o castelo de Oates (em Essex), como hóspede de sir FrancisMasham e de sua mulher Damaris Cudworth (filha do filósofo Ralph, de que falaremos adiante), onde morreu em 1704.
A obra-prima de Locke é constituída pelo imponente Ensaio sobre o intelecto humano, publicado em 1690, depois de uma gestação que durou cerca de vinte anos.
No ano anterior, ele havia publicado a Epístola sobre a tolerância.
No mesmo ano do Ensaio, foram publicadostambém os Dois tratados sobre o governo.
Em 1693, saíram os Pensamentos sobre a educação, e, em 1695, A racionalidade do cristianismo.
Alguns de seus escritos foram publicados postumamente, entre os quais revestem-se de particular importância as Paráfrases e notas das epístolas de são Paulo aos Gálatas, aos Coríntios, aos Romanos e aos Efésios e o Ensaio para a compreensão das epístolas de...
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