Jogo tuiuiu

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Inovação

Por que o futuro dos negócios é grátis
Chris Anderson, editor-chefe da revista Wired e autor do best-seller A Cauda Longa, apresenta a economia da gratuidade, a “freeconomics”
os 40 anos, King Gillette era um inventor frustrado, com um quê anticapitalista e trabalhava como vendedor de tampas para garrafas. O ano era 1890 e, apesar de suas idéias e de sua energia, e dos pais ricos, nãoconseguia muita coisa com seu trabalho. Para ele, a culpa era da competição do mercado. Na verdade, no ano anterior Gillette havia publicado um livro, The Human Drift, no qual afirmava que todos os setores deveriam ser controlados por uma única empresa, de propriedade pública. E mais: todos os milhões de norte-americanos deveriam viver em uma cidade imensa chamada Metrópolis, abastecida pelaenergia gerada nas Cataratas do Niágara. Seu chefe na fábrica de tampinhas lhe deu, porém, um conselho valioso nessa época: inventar algo que as pessoas usassem e jogassem fora, para voltar a comprar outras vezes. Um dia, enquanto se barbeava com uma navalha tão gasta que não poderia ser afiada nem uma vez mais, essa idéia surgiu. E se a lâmina se limitasse a uma peça metálica bem fina? Em vez de perdertempo afiando as navalhas, os homens poderiam simplesmente descartar as lâminas sempre que perdessem o fio. Depois de alguns anos de testes, nascia o aparelho de barbear. A novidade não agradou de imediato: em 1903, primeiro ano de comercialização, foram vendidos 51 barbeadores e 168 lâminas. Só que, nas duas décadas seguintes, Gillette recorreu a todos os artifícios de marketing que conseguiuimaginar. Mandou imprimir o próprio rosto nas embalagens, tornando-se lendário e, para algumas pessoas, um personagem de ficção. Forneceu milhões de aparelhos de barbear para o exército norte-americano (mediante um generoso desconto), na esperança de que os soldados se barbeassem nos períodos de guerra e mantivessem o hábito nos tempos de paz. Vendeu lotes de aparelhos para alguns bancos, para queoferecessem a novidade aos clientes que abrissem contas (a campanha publicitária orientava: “shave and save”, ou “barbeie-se e economize”). O aparelho de barbear vinha como brinde dos produtos mais variados, de chicletes a café, chás, temperos e marshmallows. A oferta do brinde ajudava a vender os produtos, mas o maior beneficiado era Gillette: a distribuição dos aparelhos de barbear, inúteis sem alâmina, criava demanda para seu produto. Alguns bilhões de lâminas vendidas depois, esse modelo de negócio funciona hoje como base para diversos setores: ofereça telefones celulares de graça e venda os serviços da operadora; barateie o preço dos videogames e venda jogos a preços altos; instale máquinas da café sem nenhum custo e cobre bem pelos sachês para preparação da bebida. Graças a Gillette,a idéia de que é possível ganhar dinheiro dando algo de graça não é mais vista como uma proposta radical. Mas, até recentemente, quase tudo que era “gratuito” não passava do resultado daquilo que os economistas chamam de “subsídio cruzado”: o consumidor “ganha” um produto se comprar outro ou é contemplado com um produto se pagar por um serviço.
HSM Management 68 maio-junho 2008 

A

Atérecentemente. Na última década um novo conceito de “grátis” surgiu. Em vez de se basear no subsídio cruzado –ou seja, transferência de custos de um produto para outro–, o novo modelo se apóia no fato de que o custo dos produtos propriamente dito está caindo em alta velocidade. É como se o preço do aço ficasse tão perto de zero que King Gillette pudesse distribuir o aparelho e a lâmina de graça e obterlucro com, talvez, o creme de barbear. A internet é o melhor lugar para entender esse estranho mundo das coisas grátis. Uma década e meia após o surgimento da grande experiência on-line, as últimas discussões sobre cobrar ou não pelos serviços na web estão com os dias contados. Em 2007, o jornal The New York Times liberou seu conteúdo e este ano o The Wall Street Journal deve fazer o mesmo –ainda...
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