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Arte como mercadoria: como “enfeitiçar” o público

A capacidade que a mercadoria possui de encobrir, de mistificar o que existe por trás dela (luta de classes, trabalho social, mais-valia, etc.) é o que Marx chamou de “fetichismo da mercadoria”. Como disse: “uma relação social definida, estabelecida entre os homens, assume a forma fantasmagórica de uma relação entre coisas”.
Com osurgimento do capitalismo, homens e mulheres foram paulatinamente afastados dos meios de produção, assim como do produto por eles criado. O confinamento dos operários nas fábricas tira destes não apenas a posse dos produtos, mas ele próprio deixa de ser o centro de si mesmo. O trabalhador tem um “contrato livre” de trabalho, mas não é ele quem escolhe o seu salário, ou a extensão da jornada, nem mesmoo seu ritmo. Tudo isso passa a ser comandado de fora por forças estranhas a ele. As mercadorias convertem-se em realidades soberanas e tirânicas, assumem formas abstratas e superiores aos humanos.
É essa “humanização” da mercadoria que leva, no contraponto, a “desumanização” do homem. Não por acaso a força de trabalho humana é transformada em mercadoria, vez que passa a ter um preço nomercado. A alienação e o fetiche, portanto, não são meramente teóricos, mas se manifestam na vida real das pessoas. Mesmo que essas continuem a produzir valores e criar identidades e cultura, há uma interseção das relações sociais tendo como base o mecanismo produtor da forma mercadoria, na tentativa de “ganhar a sua alma” e embotar a sua consciência.


Arte e Capitalismo: o exemplo do cinema[pic]





No mundo capitalista atual assistimos à crescente transformação da arte num verdadeiro acervo de mercadorias. Grande parte do que é produzido em termos culturais e artísticos é massificado, padronizado e colocado para consumo popular. O “espírito de mercadoria” permeia a produção artística. O cinema, apenas para lidar com um exemplo mais concreto, não constitui exceção. Aocontrário, apresenta-se como uma forma potencializada de mercadoria, pois, além de ser ele próprio uma mercadoria, e, assim como todas, mascarar a realidade, o cinema atual ainda traz em si a capacidade de fazer apologia de inúmeras outras mercadorias, pelo merchandising. As telas são invadidas por infinitas mercadorias que pululam artificialmente como uma imposição de consumo. Roteiros sãomodificados e a arte é sacrificada a bem da propaganda.
Já não é novidade, para quem gosta do “escurinho do cinema”, o encontro entre os filmes e a publicidade. Além disso, outras características despontam nas atuais produções cinematográficas, como a busca da simplicidade dos roteiros, diálogos e imagens. Isso sem falar nos invariáveis happy end (finais felizes). Tudo se faz para que um filme seassemelhe a  comerciais de TV e videoclipes. Mark Crispin Miller, professor e crítico americano, em entrevista à Revista Veja de 25/07/1990, já chamava a atenção para os pontos acima citados. O esforço generalizado visa formar grandes públicos consumidores: a receita é rebaixar o nível e oferecer uma saída para a realidade.
Numa sociedade produtora de mercadorias, a estrutura do mecanismo de produçãodas mercadorias tende a se universalizar, o que leva, via de regra, à universalização do fetiche. Tudo o que se produz, mesmo em termos de arte, tende à padronização, ao estereótipo, ao caricatural. Tem-se, cada vez mais, que dar às “coisas” um padrão universal que esteja ao alcance do mercado. Por isso, os filmes são cada vez mais simples do ponto de vista do conteúdo e da forma. Assemelha-se acomerciais de TV, quer seja na simplicidade dos diálogos e dos roteiros, quer seja na descomplexidade das imagens. É necessário descomplicar e transformar a mercadoria em algo fácil e acessível a um mercado de milhões de consumidores.
Essa “descomplicação” também não se dá por acaso. Para isso são utilizados alguns mecanismos que fazem a universalização e massificação do objeto arte. Entra em...
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