Jesuitas foram destruidores de cultura ou educadores ?

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MEMÓRIA DOS JESUÍTAS PORTUGUESES E HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA: RELAÇÃO ENTRE A OBRA DE SERAFIM LEITE E FERNANDO DE AZEVEDO
Maria Juraci Maia Cavalcante
Universidade Federal do CearáE-mail: juramaia@hotmail.com

Esta comunicação integra uma investigação mais abrangente, que tem como temática central Os Jesuítas Portugueses no Brasil, no século XX, em especial, no Ceará, a partir da perseguição sofrida por esta Ordem, depois do advento da República em Portugal (1910), e de sua expulsão, a 2 de Fevereiro de 1911, feita curiosamente por meio da reedição do decreto doMinistro de D. José de 1759. Em função da expulsão da Companhia de Jesus pelos republicanos, juntamente com todas as outras ordens religiosas de Portugal, é concebida e iniciada, conforme AZEVEDO(1986), a Missão Setentrional da Província Portuguesa Dispersa, dirigida à antiga colónia do Brasil, onde a Companhia de Jesus baseara grande parte do seu projecto de cristianização, por dois séculos, atéa expulsão por ordem de Pombal.

Devido a sua suposta hegemonia religiosa junto à população em geral, podemos imaginar o que representou para a Igreja Católica e os Jesuítas, em particular, a perseguição a eles dirigida por parte dos novos representantes políticos de Portugal. Os Proscritos noticiam em dois volumes, publicados, um em 1910, na Espanha, e o segundo, em 1914, na Bélgica, ascircunstâncias “do que passaram os religiosos da Companhia de Jesus na revolução de Portugal em 1910.” Tiveram, segundo explicita o próprios autor, Gonzaga de Azevedo, padre da Companhia de Jesus, a função de auto-defesa pública numa situação de exílio, razão pela qual tais escritos adquiriram grande ressonância social na época da terceira expulsão dos Jesuítas de Portugal, antecedida que foi pela de1759, por Pombal e a de 1834, esta pelas forças liberais e constitucionalistas. Assim, na condição de proscritos, os intelectuais jesuítas adotariam com alarde a posição de vítimas da incoerência republicana.
Em função de inúmeras circunstâncias de perseguição, especialmente, em Portugal e na França, que ajudam a criar «o mito jesuíta», conforme LEROY(1999) e FRANCO(2006), é sabido que osJesuítas se ocupam de forma obstinada com o registro de suas ações, o que fazem desde a fundação da Companhia, tanto com o objetivo de angariar apoios e simpatias por parte da Igreja e meio católico, quanto para se defender dos seus opositores. As famosas cartas de Inácio de Loyola e a função que tinham no âmbito da administração e controle exercido por ele, sediado em Roma, sobre as Missões enviadasao Oriente, Europa e América, desde o século XVI, deram origem a uma prática que favoreceu a formação de arquivos e, consequentemente, de informações minuciosas sobre a memória e a história da Irmandade.
A preocupação com a formação teológica e a prática dos famosos “exercícios espirituais” nela implícita, favorecem sobremaneira a formação intelectual de seus integrantes e o gosto ouresponsabilidade de alguns jesuítas pela história da religião, em geral, e da Companhia de Jesus em particular.
No que se refere à memória histórica dos Jesuítas no Brasil, o historiador Serafim Leite, seria um bom exemplo. Nesse sentido, consideramos muito significativa a visão que ele desenvolve da história missionária da Companhia de Jesus, ressaltando, por um lado, o coincidir da suafundação com a reforma protestante, a expansão das navegações portuguesas, e, por outro, o desafio posto aos Jesuítas devido o contraste de nível cultural, medido em escala evolucionista, entre as populações por eles encontradas no Japão e no Brasil, a qual podemos apreciar em nota preliminar ao seu livro Breve História da Companhia de Jesus no Brasil(1549-1760):
A Companhia de Jesus...
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